Datafolha revela cenário presidencial acirrado: Flávio Bolsonaro e Lula empatados em simulação de segundo turno
Uma nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (11) aponta um cenário eleitoral presidencial extremamente apertado para 2026. Em uma simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 46% das intenções de voto, enquanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 45%.
Os números geraram reações distintas entre os principais grupos políticos. A direita celebrou o resultado, vendo-o como um sinal de força e potencial de crescimento, enquanto a base petista analisou a pesquisa com cautela, reconhecendo desgastes, mas confiando na capacidade de reverter o quadro.
A pesquisa, que ouviu 2.004 entrevistados entre 7 e 9 de abril de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, foi encomendada pela Folha de S. Paulo e registrada no TSE sob o número BR-03770/2026. Os dados indicam um eleitorado dividido e uma disputa que promete ser intensa.
Direita exalta números e aposta em “libertar o Brasil”
A divulgação da pesquisa Datafolha foi recebida com otimismo pela ala de direita. Flávio Bolsonaro utilizou suas redes sociais para comentar os resultados, afirmando que o trabalho está apenas no começo e expressando confiança na vitória em outubro. “Até outubro, ainda temos um longo caminho e, se Deus quiser, vamos libertar o Brasil!”, escreveu.
O senador Sergio Moro (PL-PR) também destacou os números, ressaltando que pesquisas anteriores já apontavam vantagem para Flávio Bolsonaro. “Ninguém mais aguenta o Lula e o PT. Aqui no Paraná vão perder feio”, declarou o parlamentar, referindo-se ao seu estado natal e reforçando a percepção de insatisfação popular com o governo atual.
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), em entrevista à Folha de S.Paulo, enfatizou a rejeição a Lula. Segundo ele, a pesquisa demonstra que o eleitorado não deseja um “Lula 4” devido à percepção de que o terceiro mandato não entregou o prometido. “O povo acha que veio o nada. É isso que a pesquisa mostra”, analisou Nogueira.
Petistas admitem desgaste, mas confiam em mudança de cenário
Representantes do PT reconheceram que recentes escândalos, como os envolvendo o INSS e o Banco Master, tiveram impacto negativo na imagem do governo Lula e, consequentemente, nas pesquisas eleitorais. Edinho Silva, presidente nacional do PT, admitiu o desgaste e defendeu a necessidade de proteger a reputação do presidente.
“Se as denúncias estão sendo investigadas é mérito do presidente. E temos que continuar defendendo o legado do governo Lula”, declarou Silva em entrevista à Folha. Ele acredita que, com a campanha eleitoral a pleno vapor, será possível reverter o quadro atual, focando na defesa das conquistas do governo.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) minimizou os dados da sondagem, classificando-a como um “retrato do momento”. “A campanha ainda nem começou. Quando a campanha começar, nós vamos mostrar quem é quem”, afirmou em sua conta na rede X. A visão petista é de que a mobilização e a apresentação das propostas durante o período eleitoral serão cruciais para alterar a percepção do eleitorado.
Metodologia e desdobramentos da pesquisa Datafolha
A pesquisa Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em todo o país entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Esses dados, encomendados pela Folha de S. Paulo, oferecem um panorama do atual sentimento do eleitorado.
O resultado apertado em uma simulação de segundo turno evidencia a polarização política e a necessidade de ambos os lados intensificarem suas estratégias de campanha. A capacidade de mobilização de bases e a persuasão de eleitores indecisos serão fatores determinantes para o desfecho da eleição presidencial de 2026.