Operação da Polícia Federal mira dono da Choquei, página com milhões de seguidores e aliada do governo Lula
A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta quarta-feira (15) que resultou na prisão de Raphael Sousa, proprietário do perfil Choquei. A página, com 9,4 milhões de seguidores apenas no X (antigo Twitter), é conhecida por sua proximidade com o universo político e por ter se posicionado como uma aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A investigação apura um esquema internacional bilionário de lavagem de dinheiro, com movimentações que ultrapassariam R$ 1,6 bilhão, utilizando criptoativos. A prisão de Sousa e a operação policial trouxeram à tona uma interação antiga entre o perfil da Choquei e o presidente Lula, datada de 2021.
Naquele ano, o perfil da Choquei publicou um agradecimento a Lula por ter sido seguido de volta. A resposta do presidente foi um emoji de soco. A descoberta dessa interação ocorreu após a ação da PF, sendo recuperada e disseminada por internautas, reacendendo o debate sobre a influência e as conexões de páginas com grande alcance nas redes sociais, conforme informações divulgadas por fontes jornalísticas.
Choquei: Da “guerra” contra negacionismo à aproximação com o governo
Durante a pandemia de Covid-19, a página Choquei se destacou por atuar como um contraponto a notícias consideradas negacionistas sobre a doença, alinhando-se a discursos da esquerda. Essa postura contribuiu para a percepção da página como um espaço de difusão de informações alinhadas ao campo político do atual governo.
A proximidade com o governo Lula é evidenciada por diversas postagens e interações. A primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja, demonstrou ter um relacionamento próximo com Raphael Sousa. Durante a campanha presidencial de 2022, Janja compartilhou fotos exclusivas dos bastidores de um debate com a Choquei.
Além disso, Janja convidou Sousa para participar do carro de som oficial na comemoração da vitória de Lula em 2022. Em entrevista, o próprio criador da Choquei reconheceu ter contribuído para a eleição do presidente, afirmando que seus colaboradores eram pró-Lula, e que seu posicionamento era motivado pela oposição a Jair Bolsonaro.
Disseminação de boatos e alvos políticos
A atuação da Choquei, que ia além de fofocas sobre celebridades, passou a ser utilizada para disseminar boatos com viés pró-governo. Um exemplo citado é a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra dos Direitos Humanos na gestão Bolsonaro.
A página publicou uma informação falsa, que alcançou mais de 2 milhões de seguidores, alegando que Damares teria pedido a Bolsonaro o veto na entrega de leitos de UTI e água potável a indígenas quando era ministra. Essa postagem é um indicativo de como a plataforma foi usada para influenciar a opinião pública.
Defesa de Raphael Sousa nega envolvimento com esquema criminoso
A defesa de Raphael Sousa Oliveira, representada pelo advogado Pedro Paulo de Medeiros, divulgou uma nota à imprensa esclarecendo sua posição. Segundo a nota, o vínculo de Sousa com os fatos investigados se restringe à prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital.
A defesa afirma que os valores recebidos por Sousa referem-se a serviços de publicidade e marketing, atividades lícitas e exercidas há anos. A nota ressalta que Raphael não integra organização criminosa, não participou de esquemas ilícitos e que sua atuação sempre esteve dentro dos limites da legalidade, prometendo demonstrar isso no momento oportuno.
Outras prisões na operação
A operação da Polícia Federal contra o esquema de lavagem de dinheiro também resultou na prisão de outros nomes conhecidos, como os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo. Eles também são investigados por participação no esquema que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão através de criptoativos, mostrando a amplitude da investigação.