Espanha de Sánchez com Lula se Afasta dos EUA e Tenta Ser Ponte: China e UE se Aproximam?

Espanha de Sánchez com Lula se Afasta dos EUA e Tenta Ser Ponte: China e UE se Aproximam?

Resumo

Espanha de Sánchez com Lula se Afasta dos EUA e Tenta Ser Ponte: China e UE se Aproximam?

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, aliado próximo do presidente brasileiro Lula, tem adotado uma estratégia de distanciamento dos Estados Unidos. Em sua quarta visita a Pequim em quatro anos, Sánchez buscou acordos comerciais e o reconhecimento de Xi Jinping como interlocutor privilegiado entre a China e a União Europeia (UE).

Essa postura posiciona a Espanha como crítica ao governo americano, especialmente em relação a Donald Trump. A recente reunião entre Sánchez e Lula em Barcelona reforça essa aproximação ideológica, com ambos líderes alinhados em discursos contra a “extrema-direita” e o “autoritarismo” global.

A estratégia de Sánchez visa equilibrar as relações internacionais da Espanha em um cenário geopolítico volátil. A busca por um papel de ponte entre China e UE, ao mesmo tempo em que se afasta de decisões americanas, demonstra um movimento calculado. Conforme informações divulgadas, esta aproximação com Pequim é vista como pragmatismo estratégico para a sobrevivência econômica e estabilidade diplomática espanhola.

Sánchez Defende a China como Aliada Estratégica

Durante o encontro em Pequim, Xi Jinping elogiou a Espanha, declarando que ambos os países estão “no lado certo da história”. Essa declaração foi interpretada como um endosso direto à postura de Sánchez, especialmente diante da guerra no Irã e das pressões americanas. Xi reconheceu Sánchez como um canal de diálogo crucial entre Pequim e Bruxelas.

Sánchez, por sua vez, abraçou esse papel, defendendo uma “relação UE-China baseada na confiança, no diálogo e na estabilidade”. Ele também advoga por uma “ordem multipolar” fundamentada no “respeito e pragmatismo”, reiterando sua visão de que o mundo não gira mais exclusivamente em torno do Ocidente.

A China se consolidou como o principal parceiro comercial da Espanha fora da UE, com um comércio bilateral que superou US$ 55 bilhões em 2025. Empresas chinesas têm expandido investimentos na Espanha em setores como baterias e energia renovável, o que o governo espanhol considera estratégico para sua reindustrialização.

Espanha se Afasta dos EUA e Evita Metas da OTAN

Paralelamente à aproximação com a China, a Espanha tem demonstrado atritos com os Estados Unidos. O país foi o único membro da OTAN a votar contra a demanda de Trump para que os aliados destinassem 5% do PIB à defesa, uma posição considerada hostil por Washington. A Espanha é o único país da OTAN que não demonstra esforços concretos para alcançar essa meta.

A tensão se agravou com a guerra entre EUA e Irã, quando Sánchez recusou categoricamente a exigência americana de usar bases militares espanholas para operações contra o regime iraniano. Em resposta, Trump chegou a chamar a Espanha de “perdedora” e ameaçou com um embargo comercial.

Esses posicionamentos de Sánchez levantam questionamentos sobre a confiabilidade da Espanha como aliada dentro da OTAN. Analistas apontam o risco de isolamento para Madri, com possíveis consequências como a perda de cooperação em inteligência e a percepção de “pária” dentro da própria UE.

Sánchez Tenta Ser Ponte para Reaproximar UE e China

Diante do crescente distanciamento entre a UE e os EUA, Sánchez busca capitalizar sua relação com a China para promover uma reaproximação entre Bruxelas e Pequim. Ele apresenta a China como um parceiro “estável” e “confiável” para os europeus, em contraste com a “imprevisibilidade” americana.

No entanto, a UE como bloco ainda mantém uma visão desconfiada da China, classificando a relação como parceira, competidora e “rival sistêmica”. Desequilíbrios comerciais, como um déficit de 305,8 bilhões de euros em 2024, e tensões tecnológicas, como a discussão sobre equipamentos da Huawei e ZTE, moldam essa percepção.

Apesar dos desafios, a Espanha é vista por Pequim como um parceiro estratégico valioso para cultivar relações com a Europa. Contudo, o peso de Sánchez dentro do bloco europeu para convencer a UE a ver a China como uma aliada plena, especialmente no campo da segurança, é considerado limitado, embora não desprezível.

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