Pré-candidatos à Presidência desviam do tema mais urgente para o eleitorado: a segurança pública.
Em meio a um cenário político repleto de debates sobre economia, inflação e relações internacionais, os principais pré-candidatos à Presidência da República parecem ter deixado de lado a maior preocupação dos brasileiros: a violência e a segurança pública. Diversos assuntos, como a guerra no Irã, questões econômicas e até mesmo a escala 6×1, têm ocupado o espaço nas agendas e discursos, enquanto o clamor por mais segurança pública parece ecoar em vão.
Uma pesquisa recente da Genial/Quaest aponta que a violência é o principal problema do Brasil para 27% dos entrevistados. A corrupção aparece em segundo lugar, com 19%, seguida por problemas sociais (16%) e saúde (14%). A economia e a educação aparecem com percentuais menores, demonstrando a clara prioridade do eleitorado.
Apesar da urgência demonstrada pela população, um levantamento rápido das redes sociais e declarações públicas dos pré-candidatos revela uma notável desconexão com essa demanda. Da direita à esquerda do espectro político, o tema da segurança pública tem sido relegado a um segundo plano, contrastando com a atenção dada a outros temas menos prioritários para a maioria dos cidadãos. Conforme divulgado pela pesquisa Genial/Quaest, realizada entre 9 e 13 de abril com 2.004 eleitores, a violência lidera as preocupações nacionais.
Violência no Brasil: Um Panorama Alarmante e Crescente
A violência não é apenas uma preocupação pontual, mas uma questão que se mantém no topo da lista de apreensões dos brasileiros desde o início de 2025, com um pico de quase 40% em novembro de 2025. Esse cenário coincide com a expansão das facções criminosas em todo o território nacional. Dados sigilosos da Diretoria de Inteligência Penitenciária da Senappen, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelam a existência de 88 facções criminosas espalhadas pelo país, muitas inspiradas pelo modelo das organizações já consolidadas.
Lula e o Foco na Economia, com Menções Pontuais à Segurança
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sinalizou a intenção de abordar a segurança pública, tem concentrado suas postagens e discursos em temas econômicos. Assuntos como o endividamento das famílias, programas sociais e medidas para mitigar a inflação dominam sua comunicação. No Instagram, por exemplo, onde possui milhões de seguidores, o tema da violência praticamente desapareceu dos seus posts recentes. A última menção específica à segurança pública em suas redes sociais foi em 24 de março, em relação à sanção da Lei Antifacção.
Flávio Bolsonaro e a Oposição Ausente no Debate da Segurança
Na oposição, o senador Flávio Bolsonaro, que historicamente tem a segurança pública como uma de suas bandeiras, também tem dado pouca ênfase ao tema na atual pré-campanha. Sua última postagem relevante sobre o assunto, com tom crítico ao governo Lula, ocorreu em 14 de março. Desde então, o tema que tanto aflige os eleitores tem sido deixado de lado em sua comunicação pública, apesar de sua relevância histórica para o eleitorado de direita.
Ronaldo Caiado: Menos Foco em Segurança, Apesar do Histórico
Mesmo Ronaldo Caiado, governador de Goiás por dois mandatos e com números expressivos na redução da criminalidade para apresentar, tem optado por um discurso menos focado na violência e segurança pública. Em suas redes sociais, a última postagem abordando o tema foi em 31 de março, com uma mensagem genérica sobre dar condições para a polícia trabalhar. A prioridade, aparentemente, tem sido outros temas, distanciando-se da principal preocupação dos cidadãos brasileiros.