Copa 2026: Ataques e Atrasos no México Geram Ceticismo sobre Segurança e Enfraquecem Discurso Oficial

Copa 2026: Ataques e Atrasos no México Geram Ceticismo sobre Segurança e Enfraquecem Discurso Oficial

Resumo

A Copa do Mundo de 2026 se aproxima, e o México, um dos países anfitriões, enfrenta crescentes preocupações sobre a segurança. Incidentes recentes e atrasos em obras importantes levantam dúvidas sobre a capacidade do país em garantir a tranquilidade durante o evento.

A menos de dois meses para o início da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, o clima no país mexicano é de apreensão. A recente morte de uma turista canadense e o ferimento de outras 13 pessoas em um ataque em Teotihuacán, um dos sítios arqueológicos mais importantes, reacendeu os debates sobre a segurança.

Esses eventos, somados a outros episódios de violência, como a escalada de confrontos após a morte de um líder do Cartel Jalisco Nova Geração em fevereiro, colocam em xeque os discursos oficiais de que o México está preparado para receber o torneio. A situação é vista por especialistas como um reflexo da **violência estrutural e sistemática** que assola o país há décadas.

Conforme informações divulgadas pelo jornal El Sol de México e pelo jornal espanhol Marca, além da insegurança, o país também lida com **atrasos significativos em obras de infraestrutura essenciais** para a Copa e ameaças de protestos por parte de trabalhadores e profissionais do sexo, o que pode gerar mais instabilidade.

Incidentes de Violência Minam a Confiança na Segurança

O ataque no complexo de pirâmides de Teotihuacán, onde uma mulher canadense foi morta e 13 pessoas ficaram feridas, é um dos episódios mais recentes que geram preocupação. Este incidente, ocorrido em 20 de maio, ocorreu logo após uma onda de violência em fevereiro, que resultou em pelo menos 62 mortes, incluindo membros de cartéis e soldados da Guarda Nacional, após o anúncio da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do CJNG.

Em entrevista à NTN24, o analista político e consultor de segurança David Saucedo afirmou que o México **”não está em condições de garantir a segurança completa para a organização da Copa do Mundo”**. Ele destacou que os atentados em pontos turísticos evidenciam uma **”violência estrutural e sistemática”** no país, e não incidentes isolados, pois “toda semana há um evento de grande impacto”.

Atrasos em Obras e Ameaças de Protestos Agravam o Cenário

Além das questões de segurança, o México enfrenta desafios relacionados à infraestrutura. A passarela que ligará o Estádio Azteca ao Terminal Multimodal de Transferência de Huipulco teve seu orçamento reajustado de 25,3 milhões de pesos para 60 milhões de pesos e sofreu atrasos, com previsão de conclusão apenas no final de maio, próximo ao início do Mundial.

Outras obras, como a construção do mercado do terminal de Huipulco, também foram adiadas. O próprio Estádio Azteca, apesar de reinaugurado em março após 671 dias fechado para reformas, ainda apresenta obras em andamento, incluindo uma tribuna no setor inferior e áreas externas.

A possibilidade de protestos também é um fator de preocupação. Profissionais do sexo deslocados pelas obras do Mundial ameaçam bloquear avenidas e o metrô caso não sejam autorizados a retornar às proximidades do Estádio Azteca. A Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) também ameaçou realizar bloqueios e fechar rodovias se suas reivindicações trabalhistas não forem atendidas.

Especialistas Analisam Impacto na Imagem e Geopolítica do México

Fernanda Brandão, professora e coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, ressalta que os episódios recentes de violência **”enfraquecem o discurso da presidência mexicana, centrado na restauração da segurança”**. Ela aponta que o controle da violência tem implicações geopolíticas, especialmente diante do esforço dos EUA em consolidar sua influência nas Américas e a possibilidade de categorizar grupos de traficantes como terroristas.

João Alfredo Lopes Nyegray, professor de geopolítica da PUCPR, analisa que o ataque em Teotihuacán **”muda a geografia do risco”** no México, rompendo a narrativa de que a violência estava concentrada em regiões específicas. Ele também explica que o México tem dificuldades em utilizar a estratégia de **”sportswashing”**, de usar grandes eventos esportivos para melhorar sua imagem, devido à sua democracia plural e à presença de atores não estatais armados, o que difere de casos como Catar e China.

Nyegray conclui que, embora a atenção global durante o evento possa gerar um ganho reputacional momentâneo, os problemas de criminalidade no México **”vão reaparecer”** após a Copa, dissipando qualquer benefício de imagem a longo prazo, como ocorreu com o Catar.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também