Esquerda em SC Lança Gelson Merísio, Ex-Aliado de Bolsonaro, em Movimento para Atrair Eleitorado Moderado
Em uma jogada política audaciosa para conquistar o eleitorado catarinense, a frente de esquerda em Santa Catarina lançou a pré-candidatura ao governo de Gelson Merísio. O ex-deputado, que trocou o Solidariedade pelo PSB, agora lidera um grupo que reúne PSB, PT, PDT e PSOL, sob o rótulo de “campo democrático”.
A missão de Merísio é clara: fortalecer a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. A chapa majoritária conta com a ex-deputada estadual Ângela Albino (PDT) como vice, e DÉCIO Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) como pré-candidatos ao Senado.
A escolha de Merísio, natural do oeste catarinense e com carreira política construída na centro-direita, surpreende. Ele já foi vereador, deputado estadual e presidiu a Alesc por duas vezes. Em 2018, chegou ao segundo turno da disputa pelo governo, mas foi derrotado. A informação foi divulgada pela Gazeta do Povo.
A Virada Política e o Discurso de Diálogo
A guinada política de Gelson Merísio se intensificou a partir de 2022, quando passou a coordenar a campanha de DÉCIO Lima ao governo. Em entrevista à Rádio Princesa, Merísio reconheceu o apoio a Bolsonaro em 2018, mas justificou que se decepcionou com a gestão federal. Ele citou a ausência de agenda com Santa Catarina e a condução da pandemia de Covid-19 como motivos para sua mudança de posição.
“Quem mudou fui eu. Acho que existe um espaço para diálogo, para conversa e para que haja respeito”, declarou Merísio, ao comentar seu deslocamento político. Segundo ele, a decisão de apoiar Lula em 2022 também foi resultado de uma avaliação pragmática do cenário e de experiências pessoais.
Durante o lançamento de sua pré-candidatura, Merísio criticou a imagem recente de Santa Catarina no cenário nacional, associada a episódios de intolerância e radicalização. Ele defendeu a recuperação de uma imagem de “estado acolhedor” e “estado amigo”.
Estratégia para Conquistar o Eleitor Moderado
Segundo o analista político Daniel Pinheiro, da Udesc, a escolha de Merísio é uma estratégia calculada para aumentar a competitividade eleitoral. Pinheiro avalia que o pré-candidato possui características mais moderadas, alinhadas ao perfil do eleitor catarinense, que demonstrou forte adesão à direita nos últimos anos.
“Nesse contexto, lançar um nome com perfil mais ao centro ajuda a equilibrar a disputa”, afirmou Pinheiro à Gazeta do Povo. Ele ressalta que essa tática não é nova e já foi adotada em outros estados para ampliar o alcance eleitoral da esquerda e facilitar o diálogo com diferentes segmentos.
Ainda é cedo para prever o impacto nas urnas, mas Pinheiro pondera que Merísio pode disputar espaço, fragmentando o cenário e abrindo caminho para um possível segundo turno. Ele lembra que, em 2022, a divisão de votos entre candidaturas de direita e centro contribuiu para levar o PT ao segundo turno no estado.
Pesquisa Indica Cenário Fragmentado e Disputa pelo Senado
Uma pesquisa recente da Atlas/Intel, divulgada pela Gazeta do Povo, aponta Gelson Merísio com 13,8% das intenções de voto, atrás de Jorginho Mello (PL), com 49,4%, e João Rodrigues (PSD), com 21,4%. Em cenários simulados de segundo turno, Merísio perderia para ambos.
A disputa pelas duas vagas no Senado também se mostra acirrada. Carol de Toni (PL) lidera com 30,7%, mas a segunda vaga está indefinida entre Esperidião Amin (PP) com 20,1%, Carlos Bolsonaro (PL) com 18,3% e DÉCIO Lima (PT) com 13,4%, todos tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
A entrada de novos nomes pela direita, como Carol de Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin, pode criar uma janela de oportunidade para DÉCIO Lima na disputa pelo Senado. Se o petista avançar, seria um resultado expressivo para a centro-esquerda em um estado tradicionalmente conservador, segundo análise de Pinheiro.
A pesquisa ouviu 1.280 pessoas entre 25 e 30 de março, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é SC-05257/2026.