Jovens Mexicanos Lideram Marcha pela Vida em Repúdio à Ampliação do Aborto
Um vibrante clamor pela vida ecoou pelas ruas do centro da Cidade do México no último fim de semana. Jovens, representando diversas facetas da sociedade mexicana, reuniram-se em massa para a tradicional Marcha pela Vida, um evento que ganha contornos de protesto diante da crescente liberalização das leis de aborto no país.
A manifestação ocorreu um dia após o aniversário da lei de 2007, que legalizou o aborto sob demanda na capital, um marco que abriu caminho para que 24 dos 31 estados mexicanos adotassem restrições mais flexíveis à prática. Dados da Secretaria de Saúde Pública da Cidade do México indicam que quase 300 mil abortos foram realizados na capital entre 2007 e 2025.
Organizada por grupos de amigos, famílias e jovens mobilizados por paróquias, a marcha partiu do Monumento à Revolução em direção à Assembleia Legislativa da Cidade do México. Os organizadores estimam que mais de duas mil pessoas participaram do evento, ditando o ritmo com tambores, cânticos e slogans de forte apelo à defesa da vida, conforme relatado pela ACI Prensa.
A Voz da Juventude Pró-Vida
Macarena Muñoz, de 22 anos, expressou o sentimento de muitos jovens presentes. “Nossa intenção é mostrar que ainda existem jovens pró-vida no México e em todos os estados que querem ver essas leis mudadas e que não querem que o aborto seja descriminalizado”, afirmou à ACI Prensa. Ela ressaltou a importância de defender o “valor intrínseco da vida” como base para a proteção de outros direitos.
A expansão das leis pró-aborto no México ganhou impulso significativo a partir de 2018, durante o mandato do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, com o partido MORENA obtendo maioria em várias assembleias estaduais. Posteriormente, sob a administração de Claudia Sheinbaum, também do MORENA, novas leis pró-aborto foram aprovadas em estados como Jalisco, Michoacán e Yucatán, entre outros.
Participação de Diversas Regiões e Apelos por Bem-Estar
A marcha atraiu participantes de pelo menos 20 cidades mexicanas. Regina Hinojosa, de 24 anos, que viajou de Puebla, lamentou a percepção de que a legalização do aborto não trouxe benefícios tangíveis para as mulheres. “As mulheres mexicanas merecem mais leis em favor de seu bem-estar e de seus bebês”, declarou à ACI Prensa.
Juan Pablo Perea, de 21 anos, originário de Michoacán, enfatizou o papel ativo da juventude na luta pela vida. “Cabe a nós, jovens, lutar por isso porque não somos mais apenas o futuro do país, mas seu presente”, disse ele, reconhecendo que a causa enfrenta desafios, mas incentivando o engajamento com o lema “sem vida, não há futuro”.
Legisladores e Apelo por Direitos Humanos
A presença de legisladores pró-vida, como Juliana Rosario Hernández Quintanar, deputada estadual de Querétaro pelo Partido Ação Nacional, reforçou o caráter político do movimento. Hernández defendeu a necessidade de mais leis para proteger os vulneráveis, incluindo os nascituros, e encorajou seus colegas a não desistirem da luta pela vida, vista como “esperança” e “futuro”.
Rodrigo Baños, de 20 anos, fez um apelo direto a outros jovens para que participem com “atitude e determinação” na defesa dos direitos humanos, especialmente os das mulheres e dos nascituros. Ele declarou que “somos jovens; não temos nada a perder. Devemos dar tudo de nós” nessa causa.
Manifesto da Geração Pró-Vida
Ao final do evento, um manifesto foi lido, dirigindo-se aos jovens mexicanos e àqueles que buscam desencorajá-los. A mensagem ressoou com firmeza: “Nós nos recusamos; somos uma geração que não se acostuma, que não se vende, que não fica em silêncio, que não se rende. Não desistiremos. Não nos cansaremos de defender a verdade. Não pararemos de amar o México”.