CPMI do Banco Master: Tensão cresce com disputas políticas e investigações que se aproximam do Centrão e de importantes nomes da política.
A recusa de Jorge Messias para o cargo de ministro do STF e a derrubada de um veto presidencial ao PL da dosimetria foram apenas o prelúdio para uma nova batalha no Congresso Nacional. A disputa agora se volta para a instalação da CPMI do Banco Master, um embate que intensifica as divergências entre a base governista, o Centrão e a oposição.
A comissão, apesar de ter o número de assinaturas necessárias, segue travada, com o autor do pedido, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), mantendo a pressão pela leitura e instalação. Nos bastidores, a resistência é vista como uma tentativa de proteger partidos do Centrão, que detêm forte influência política e administrativa.
Fontes parlamentares indicam que uma investigação aprofundada sobre o Banco Master poderia atingir mais membros do Centrão do que figuras da esquerda ou da direita que tiveram proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro. A recente operação da Polícia Federal, com buscas na casa do presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), um expoente do Centrão, aumentou a tensão, pois ele é suspeito de receber propina em troca de defender um projeto de lei favorável a Vorcaro. Conforme informações divulgadas, a PF identificou “suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.
Oposição vê ambiente favorável, mas Centrão resiste
A oposição, liderada pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-RN), vê as recentes derrotas do governo como um fortalecimento do ambiente político no Congresso para avançar com a CPI. Ele declara que “a rejeição de Jorge Messias e a derrubada do veto [ao PL da dosimetria] mostram que o Congresso começa a exercer sua independência. Esse ambiente fortalece, sim, a pressão pela CPI”.
No entanto, o parlamentar aponta a “resistência política clara” como o principal entrave para a instalação da comissão, afirmando que a oposição fez sua parte e está mobilizada, mas falta “vontade política de quem não quer que os fatos sejam apurados”. A demora, segundo ele, gera desgaste e leva a sociedade a questionar quem tenta evitar a investigação.
Governo propõe nova CPMI, mas oposição mantém foco
Aliados do Planalto, após as derrotas, passaram a defender a investigação, mas rejeitam o requerimento da oposição. A estratégia governista é apoiar a CPMI, desde que sob um “outro desenho político”, como os pedidos apresentados por Fernanda Melchionna (PSOL-SP) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A avaliação interna é que o requerimento da oposição amplia o foco para além do caso financeiro e tensiona o Supremo Tribunal Federal (STF), o que desvirtuaria o objeto da comissão.
A oposição, por sua vez, admite discutir ajustes técnicos, mas sem alterar o alcance da investigação. “Não há apego à vaidade de texto. Se houver ajustes técnicos, isso pode ser discutido. Mas o essencial não pode mudar: a CPI precisa ter força e liberdade para investigar”, afirma Cabo Gilberto. Ele rebate críticas, defendendo que “CPI não é instrumento político, é instrumento constitucional de fiscalização. Quem tenta desqualificar, na prática, tenta desqualificar a investigação”.
Ciro Nogueira sob investigação e o impacto no Centrão
A operação da Polícia Federal que incluiu buscas na casa de Ciro Nogueira intensificou a apreensão dentro do Centrão. Parlamentares avaliam reservadamente que o avanço das investigações eleva o receio de desgaste político em ano eleitoral. A defesa de Ciro Nogueira, em nota, negou irregularidades, afirmando que o senador “não teve qualquer participação em atividades ilícitas” e repudiou “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo sua atuação parlamentar, criticando medidas baseadas em “mera troca de mensagens”.
A leitura entre congressistas é que uma investigação aprofundada sobre o Banco Master pode atingir mais nomes do Centrão do que da esquerda e da direita. O receio é de um “desgaste institucional em cadeia” caso a investigação se amplie para diferentes partidos com trânsito no sistema financeiro.
Davi Alcolumbre e o calendário eleitoral como entraves
No Senado, o líder do Novo, Eduardo Girão (Novo-CE), nega acordos para barrar a comissão e cobra diariamente o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele aponta três caminhos para destravar a investigação: instalação direta no Senado, abertura de uma CPMI com apoio de deputados e senadores, ou judicialização no STF. “Essa investigação pode revelar um dos maiores escândalos do país. Não vamos recuar”, declarou.
Por outro lado, a senadora Damares Alves (PL-DF) avalia que o ambiente no Senado não favorece a instalação imediata, citando que o tema já está sendo tratado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), com acesso a documentos sigilosos e audiências. “Não sei se o pessoal vai entender a necessidade de instalar a CPI com a comissão já trabalhando o tema”, disse. O calendário eleitoral também é um fator, com menor disposição dos parlamentares para assumir compromissos que exijam presença constante em Brasília.
Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, mantém a CPMI travada, mesmo com assinaturas suficientes. Reportagem de janeiro de 2026 da Gazeta do Povo citou o senador em investigações sobre o Banco Master, após a Amapá Previdência (Amprev) aplicar R$ 400 milhões em letras financeiras da instituição, colocando em risco recursos de servidores públicos. A assessoria do senador negou qualquer participação nas decisões da Amprev e interferência política nos investimentos.