Crise na Rússia: Putin enfrenta economia em recessão, queda de popularidade e paranoia crescente enquanto imagem de líder forte se esvai

Crise na Rússia: Putin enfrenta economia em recessão, queda de popularidade e paranoia crescente enquanto imagem de líder forte se esvai

Resumo

Putin sob pressão: Economia em recessão, popularidade em baixa e paranoia marcam o Kremlin

O tradicional desfile militar do Dia da Vitória na Rússia, um evento grandioso que celebra a vitória soviética na Segunda Guerra Mundial, ocorreu neste sábado (9) com um cenário inédito e preocupante para o presidente Vladimir Putin. Pela primeira vez em mais de duas décadas no poder, o líder russo enfrenta uma conjunção de crises: uma economia em recessão, uma queda em sua popularidade e um ambiente de insegurança que o leva a se entrincheirar em bunkers reforçados.

A ausência de equipamentos militares na Praça Vermelha, justificada pelo Ministério da Defesa como uma medida devido à “situação operacional atual”, na verdade reflete a crescente vulnerabilidade russa. Ataques ucranianos com drones têm atingido o território russo com frequência cada vez maior, inclusive a capital Moscou. Na última semana, um drone ucraniano conseguiu cruzar as defesas aéreas da capital e atingiu um prédio de luxo a poucos quilômetros do Kremlin, evidenciando a fragilidade da segurança nacional.

A imprensa internacional também foi, em grande parte, impedida de cobrir o evento presencialmente, com a transmissão concentrada na mídia estatal russa. Entre os poucos líderes estrangeiros presentes, destacam-se o ditador de Belarus, Alexander Lukashenko, o rei da Malásia e o líder do Laos. Figuras importantes como os líderes da China e da Coreia do Norte não compareceram, sinalizando o isolamento crescente de Moscou. Essas informações foram divulgadas com base em conteúdo da fonte 1.

Popularidade de Putin em Declínio e Economia Patinando

A imagem de líder forte de Vladimir Putin começa a dar sinais de desgaste. Pesquisas recentes indicam uma queda em sua aprovação. Segundo a Fundação de Opinião Pública, o apoio ao governo atingiu seu menor patamar desde o início da invasão da Ucrânia, com 73% dos russos avaliando o desempenho do ditador como “satisfatório”, uma queda de três pontos percentuais em relação ao mês anterior. A parcela que considera o regime “insatisfatório” subiu para 13%, e a desconfiança chegou a 17%.

O Centro Russo de Pesquisa de Opinião Pública, um instituto estatal, apresenta números ainda mais alarmantes, com a aprovação de Putin caindo de 77,8% no início do ano para 65,6% no final de abril, o menor nível desde antes da guerra. Essa queda na popularidade ocorre em um contexto de pressões econômicas, sociais e políticas significativas para o regime.

Economia Russa em Recessão e Impacto das Sanções

A economia russa, duramente atingida pelas sanções ocidentais em decorrência da invasão à Ucrânia, entrou em recessão nos dois primeiros meses do ano, com uma retração de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), um dado reconhecido pelo próprio Putin. Integrantes do alto escalão russo admitem um cenário econômico “muito difícil”, marcado por escassez de mão de obra e lentidão nas mudanças estruturais.

Maxim Reshetnikov, ministro do Desenvolvimento Econômico, declarou que as reservas que sustentaram o crescimento durante a guerra estão “amplamente esgotadas”. O economista Vladislav Inozemtsev, em análise publicada no portal Riddle Russia, aponta que o aumento das receitas de petróleo e gás não está gerando crescimento real, pois o dinheiro é usado para cobrir dívidas e ajustar contas, em vez de investimento ou consumo.

O tenente-general Thomas Nilsson, chefe do Serviço de Inteligência Militar e Segurança da Suécia, afirmou em entrevista ao Financial Times que a Rússia precisaria manter o preço do petróleo Urals acima de US$ 100 o barril por um ano apenas para fechar o déficit fiscal. Ele também alertou que a inflação real no país estaria próxima de 15% ao ano, em vez dos 5,86% oficiais, e que a economia russa caminha para um declínio prolongado ou um choque financeiro.

Restrições à Internet Geram Insatisfação e Protestos

As medidas de controle digital implementadas pelo Kremlin, como o bloqueio de aplicativos de mensagens e os apagões recorrentes da internet móvel, têm gerado uma onda incomum de insatisfação e protestos. O regime bloqueou o WhatsApp e o Telegram, aplicativos essenciais para comunicação pessoal, notícias e transações comerciais para milhões de russos, e restringiu o acesso ao YouTube. O objetivo é forçar a população a usar o aplicativo estatal MAX, sem criptografia e de fácil monitoramento pelas autoridades.

Essas restrições provocaram manifestações em diversas cidades, com influenciadores e até parlamentares fiéis ao regime expressando preocupação. O cientista político Mikhail Komin, do Centro de Análise de Política Europeia, declarou ao The New York Times que as restrições à internet fizeram “um grande número de pessoas se voltar contra a classe dirigente”. O Partido Comunista Russo tem recebido “inúmeras queixas” devido aos bloqueios, conforme relatou o deputado Alexander Yushchenko.

Paranoia no Kremlin: Medo de Ataques e Golpes Leva a Reforço na Segurança de Putin

O cenário de crise e crescente insatisfação alimenta um ambiente de paranoia em torno de Vladimir Putin. Um relatório de uma agência de inteligência europeia, obtido pela CNN, indica que o Kremlin reforçou drasticamente a segurança pessoal do ditador e de seus auxiliares mais próximos. Há temores de assassinato, ataques de drones e até mesmo de um golpe interno.

Sistemas de vigilância foram instalados nas casas de assessores próximos, e funcionários que trabalham diretamente com Putin foram proibidos de usar transporte público. Visitantes passam por revistas rigorosas, e auxiliares só podem usar telefones sem acesso à internet. Putin reduziu o número de locais frequentados regularmente e tem passado semanas em bunkers reforçados, principalmente em Krasnodar, na região do Mar Negro. O medo de ataques também o impediu de visitar instalações militares russas neste ano.

O reforço na segurança ocorre após a morte de figuras de alto escalão do Kremlin em ataques ucranianos. Em dezembro passado, o tenente-general Fanil Sarvarov foi morto em Moscou pela explosão de seu carro, um ataque atribuído aos serviços secretos ucranianos. Anteriormente, o tenente-general Igor Kirillov também havia sido morto em um ataque similar, um incidente que Putin classificou como “falha grave” do aparato de segurança russo.

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