Flávio Dino dá 48 horas para Câmara explicar viagem de Mario Frias ao exterior em meio a investigação de emendas para filme de Bolsonaro

Flávio Dino dá 48 horas para Câmara explicar viagem de Mario Frias ao exterior em meio a investigação de emendas para filme de Bolsonaro

Resumo

Flávio Dino exige explicações da Câmara sobre viagens de Mario Frias ao exterior em 48 horas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, estabeleceu um prazo de 48 horas para que a Câmara dos Deputados justifique as recentes viagens internacionais do deputado Mario Frias (PL-SP). A solicitação, formalizada por meio de um ofício emitido nesta quarta-feira (20), foi direcionada ao presidente da Casa, Arthur Lira (Republicanos-PB).

As viagens de Mario Frias ao Bahrein e aos Estados Unidos ocorrem em um momento crucial, pois o deputado é alvo de uma investigação que apura o suposto uso de emendas parlamentares para financiar o filme “Dark Horse”, uma produção que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A situação intensifica o escrutínio sobre os repasses públicos e a atuação de parlamentares.

Mario Frias esteve no Bahrein entre os dias 12 e 18 de maio e, posteriormente, seguiu para os Estados Unidos. Em entrevista recente, o deputado declarou que suas viagens tinham como objetivo “propor alguns investimentos no Brasil” e prospectar investimentos em segurança pública. Ele também afirmou estar “pronto para prestar conta” e à disposição da Justiça.

Investigação sobre emendas para filme de Bolsonaro

A investigação, conduzida por Dino, teve início após uma representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Ela questionou o envio de R$ 2,6 milhões em “emendas Pix” para a ONG Academia Nacional de Cultura (ANC) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Essas organizações são controladas pela mesma sócia da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”.

Além de Mario Frias, as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) também são investigados no mesmo caso. Em março, Bia Kicis negou veementemente qualquer repasse para a produção do filme, classificando a informação como “incorreta” e distorcida. Ela explicou que um repasse de R$ 150 mil foi destinado a um projeto cultural e educativo voltado à valorização da história nacional.

Marcos Pollon, por sua vez, informou ter solicitado o cancelamento de sua emenda após o pedido de esclarecimentos do STF, com o intuito de redirecionar os recursos para um hospital. A defesa de Frias, inicialmente, sustentou que o financiamento do filme era inteiramente privado, utilizando capital de R$ 2 milhões.

Controvérsias sobre o financiamento do filme

No entanto, a versão sobre o financiamento privado foi posteriormente contestada. O site The Intercept Brasil divulgou mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a publicação, teriam ocorrido negociações para um repasse de R$ 134 milhões do empresário para financiar o filme. Cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

Mario Frias, inicialmente, contrariou essa informação, afirmando que o filme não havia recebido “um único centavo” do empresário. Um dia depois, o deputado esclareceu a situação, alegando uma “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”. Ele explicou que o vínculo contratual teria sido firmado com a empresa Entre Investimentos, e não diretamente com Vorcaro ou o banco, caracterizando uma distinção jurídica na origem dos recursos.

O ministro Flávio Dino já havia determinado a intimação de Mario Frias para prestar esclarecimentos em março, mas o oficial de Justiça não obteve sucesso em cumprir a ordem, resultando na devolução da notificação ao STF. A abertura da investigação pelo ministro visa apurar detalhadamente os repasses para ONGs ligadas à produtora do filme.

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