Cláudio Castro em Nova Mira da PF: R$ 3 Bilhões da Rioprevidência Investidos no Banco Master Sob Suspeita

Cláudio Castro em Nova Mira da PF: R$ 3 Bilhões da Rioprevidência Investidos no Banco Master Sob Suspeita

Resumo

Polícia Federal Investiga Cláudio Castro por Aplicações Suspeitas da Rioprevidência no Banco Master

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, encontra-se novamente no centro de uma investigação da Polícia Federal. Desta vez, a ação apura suspeitas de influência na aplicação de R$ 3 bilhões de recursos da Rioprevidência no Banco Master. Esta é a segunda vez em poucos dias que agentes federais realizam buscas na residência do político.

A investigação, que faz parte da 8ª fase da Operação Compliance Zero, foi autorizada pelo Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação cumpre um total de dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília, visando esclarecer os detalhes dessas movimentações financeiras.

As apurações iniciais da Polícia Federal, conforme informações divulgadas, indicavam a aplicação de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras de um banco privado entre outubro de 2023 e julho de 2024. Contudo, o aprofundamento da investigação revelou aportes adicionais de R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento do mesmo banco a partir de julho de 2024, elevando o total suspeito para cerca de R$ 3 bilhões. O advogado de Castro, Carlo Luchione, declarou que o ex-governador acompanha as buscas com serenidade.

Detalhes da Investigação e Valores Envolvidos

A Polícia Federal detalhou que a investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel. Esta operação já havia identificado aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras de um banco privado, totalizando aproximadamente R$ 970 milhões. A nova fase foca em aplicações de R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento do mesmo banco, elevando o montante total investigado para cerca de R$ 3 bilhões transferidos do fundo previdenciário.

A Rioprevidência é responsável pela gestão dos benefícios de cerca de 235 mil servidores aposentados e pensionistas do estado. A suspeita da PF é de que os investimentos foram realizados mesmo diante de alertas emitidos por órgãos de controle. Em fevereiro, o então presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi preso durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, que originou a atual Compliance Zero.

Pressão Política e Outras Investigações

A aplicação bilionária da Rioprevidência no Banco Master também gerou forte repercussão na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL-RJ) anunciou a coleta de assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar os investimentos do governo estadual na instituição financeira. Dados apresentados na Alerj indicam que o Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão diretamente no Banco Master e outros R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição. Parlamentares afirmam que parte dessas operações ocorreu mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

Além disso, segundo Flávio Serafini, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) também realizou aplicações financeiras no Banco Master, somando cerca de R$ 200 milhões. Paralelamente, na semana anterior, Cláudio Castro já havia sido alvo da Operação Sem Refino, que apura suspeitas de participação em um esquema de sonegação fiscal e tratamento privilegiado a um empresário com dívidas bilionárias.

Esquema de Sonegação Fiscal e Conexões Empresariais

A Operação Sem Refino investiga um esquema de não pagamento de tributos que, segundo a Polícia Federal, contava com a anuência de servidores do governo fluminense. A PF chegou a classificar a Secretaria de Estado da Fazenda como uma “extensão da estrutura empresarial” de um grande devedor de impostos. Em relatório enviado ao STF, a Polícia Federal afirmou que, “sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro regimento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro”.

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