Polícia Federal desvenda suposto esquema bilionário na Rioprevidência com Banco Master, expondo recursos de servidores a riscos elevados.
A Polícia Federal (PF) está aprofundando as investigações sobre como funcionava um esquema que, segundo os investigadores, aplicou **bilhões de reais** do fundo previdenciário dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, a Rioprevidência, em ativos de **alto risco e baixa transparência** no Banco Master. A suspeita recai sobre a realização de aplicações financeiras mesmo diante de **alertas técnicos** sobre a fragilidade dos papéis e a situação financeira da instituição.
As operações, batizadas de Compliance Zero e Barco de Papel, revelam que a Rioprevidência investia recursos em títulos emitidos pelo Banco Master, com destaque para as Letras Financeiras, que **não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)**. Em troca, o fundo recebia a promessa de retornos financeiros significativamente superiores aos praticados pelo mercado tradicional.
Inicialmente, a Rioprevidência havia declarado investimentos na ordem de R$ 970 milhões no Banco Master. Contudo, as recentes operações da PF trouxeram à tona um montante muito maior, chegando a **R$ 3 bilhões**. Essa descoberta intensifica as preocupações sobre a segurança dos recursos destinados à aposentadoria e pensão de cerca de 235 mil servidores fluminenses. Conforme informações divulgadas pela PF e veiculadas em veículos de imprensa, o esquema funcionava como uma troca de dinheiro imediato por promessas futuras de pagamentos com juros elevados, mas com ativos de baixa liquidez e questionável qualidade.
O Mecanismo de Alto Risco em Detalhe
O modelo investigado pela PF sugere que o Banco Master utilizava a entrada constante de novos recursos públicos para sustentar compromissos financeiros antigos e manter sua operação em funcionamento. A hipótese central da investigação é que o banco dependia de uma **”rolagem permanente” de capital**, captando dinheiro de fundos públicos e institutos de previdência para manter sua estrutura financeira ativa.
Investigadores apontam que parte dos ativos adquiridos possuía **baixa liquidez**, dificultando sua revenda, e levantavam dúvidas sobre a qualidade dos créditos que serviam como garantia para as operações. Essa dinâmica expunha o patrimônio da Rioprevidência a um risco considerado incompatível com a finalidade previdenciária do fundo.
Alerta Ignorado e Influência Política Sob Lupa
Um ponto crucial na investigação é a forma como os investimentos eram aprovados internamente na Rioprevidência, com indícios de que pareceres técnicos e alertas sobre os riscos elevados dos papéis poderiam ter sido **ignorados ou relativizados**. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e outros órgãos de fiscalização financeira acompanham de perto o desenrolar do caso.
Em meados de 2024, o TCE-RJ já havia sinalizado que aproximadamente **25% dos recursos da Rioprevidência**, o equivalente a R$ 2,6 bilhões, estavam aplicados em papéis do Banco Master, um percentual considerado expressivo e preocupante.
Posição Oficial da Rioprevidência e a Legislação Previdenciária
A Rioprevidência, em manifestações anteriores, afirmou que as operações seguiram **critérios legais e técnicos** e que medidas judiciais foram adotadas para preservar o patrimônio do fundo. A autarquia declarou que o valor efetivamente investido no Master foi de aproximadamente R$ 970 milhões em Letras Financeiras, e que a operação segue regular, adimplente e enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais.
No entanto, a legislação previdenciária estabelece que aplicações de fundos de pensão priorizem **segurança, liquidez e baixo risco**. O objetivo é justamente evitar perdas que possam comprometer o pagamento futuro dos benefícios de aposentadoria e pensão aos servidores públicos. A PF busca esclarecer se houve influência política do ex-governador Cláudio Castro para viabilizar esses aportes.
O Futuro dos Recursos Previdenciários em Jogo
A investigação busca determinar se houve falhas na gestão e supervisão dos investimentos, expondo os recursos dos servidores a um cenário de incerteza financeira. A Polícia Federal segue coletando evidências e ouvindo depoimentos para formar um quadro completo da situação.
É fundamental para os servidores públicos entenderem a dimensão dos riscos envolvidos e as medidas que estão sendo tomadas para salvaguardar seus direitos previdenciários. A transparência e a rigorosa fiscalização são essenciais para garantir a sustentabilidade do sistema de aposentadorias e pensões no estado do Rio de Janeiro.