Flávio Bolsonaro busca apoio de Trump para classificar facções brasileiras como terroristas e alfineta governo Lula em Washington
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, revelou ter solicitado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A declaração ocorreu após uma reunião de aproximadamente 1h40 na Casa Branca, em Washington.
Durante o encontro, Trump teria se comprometido a avaliar o pedido. Flávio Bolsonaro destacou que a segurança pública foi um dos temas centrais da conversa com o presidente americano, indicando a relevância da pauta para ambos os lados.
O senador agradeceu a Trump pela recepção e ressaltou o “prestígio do Brasil junto ao governo americano”, em um momento de discussões globais complexas. Conforme informação divulgada pelo próprio senador, o convite para a reunião partiu da Casa Branca e foi articulado por Eduardo Bolsonaro e pelo jornalista Paulo Figueiredo, diferenciando-se de supostas intermediações anteriores.
Brasil no “Escudo das Américas” e investimentos em terras raras
Flávio Bolsonaro informou a Donald Trump que, em uma eventual gestão sua, o Brasil aderirá ao “Escudo das Américas”, uma iniciativa americana focada na cooperação regional em segurança e defesa. O senador também mencionou discussões sobre investimentos em terras raras brasileiras e possíveis acordos econômicos bilaterais neste setor estratégico.
Críticas contundentes a Lula e ao Itamaraty
Durante a coletiva, o senador teceu fortes críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio Bolsonaro afirmou ter dito a Trump que o atual governo brasileiro “mantém alinhamento com países que apoiam ditaduras” e que tratou com o presidente americano sobre casos de censura no Brasil. Ele também rebateu críticas vindas do Planalto sobre sua viagem, desafiando o governo a apoiar a instalação de uma CPI do Banco Master.
O senador negou que sua pré-candidatura esteja em crise, classificando-a como a “única alternativa” ao governo Lula, a quem atribui a responsabilidade pela insegurança e alta criminalidade no país. Em relação à China, Flávio declarou que um governo seu seria pragmático, focado nos interesses brasileiros, e que o Brasil dialogaria com todos os países, mas sem a “orientação ideológica” que, segundo ele, marca a política externa atual e gera instabilidade.
Reação a críticas e relações com os EUA
Ao ser questionado sobre as críticas do governo Lula à sua viagem, Flávio Bolsonaro declarou não ter “nada a esconder” e rebateu questionamentos sobre investigações da Polícia Federal e a situação do filho de Lula, conhecido como “Lulinha”. Ele também criticou o Itamaraty e a Embaixada brasileira em Washington por terem recusado a realização de sua coletiva de imprensa em instalações diplomáticas.
Flávio Bolsonaro disse que Trump demonstrou acompanhar a política brasileira, embora não tenha declarado apoio explícito à sua pré-candidatura. A primeira pergunta do presidente americano foi sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, que o senador informou estar bem. Ao final do encontro, Flávio recebeu de Trump uma “challenge coin”, moeda simbólica considerada um raro sinal de respeito e confiança por parte de presidentes americanos.