Investigações da PF: Luxos e Aportes Bilionários que Sacudiram a Carreira Política de Cláudio Castro
A Polícia Federal trouxe à tona um escândalo que abalou as estruturas políticas do Rio de Janeiro. Revelações sobre um estreito vínculo pessoal entre o ex-governador Cláudio Castro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apontam para eventos de luxo financiados pelo banqueiro. Essas regalias, segundo a investigação, coincidiram com vultosos aportes do fundo de pensão dos servidores estaduais, o RioPrevidência, no banco, configurando um cenário que culminou na desistência de Castro da candidatura ao Senado.
A operação, que recebeu autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para sua oitava fase, denominada Compliance Zero, expôs detalhes chocantes sobre a relação. A investigação sugere uma possível “expropriação” do fundo de pensão, levantando sérias questões sobre a gestão do dinheiro público e a conduta de autoridades. As revelações foram divulgadas pela Gazeta do Povo.
Diante da gravidade das acusações e da exposição pública do caso, Cláudio Castro anunciou oficialmente sua retirada da corrida eleitoral para 2026. A decisão, segundo o próprio político, visa focar em sua defesa jurídica, uma vez que o sigilo das investigações foi quebrado, tornando sua permanência na disputa inviável.
Degustação de Uísque e Jantares Milionários sob Suspeita
No centro da investigação estão eventos de luxo que teriam sido custeados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para Cláudio Castro. Um dos episódios mais chocantes é uma degustação exclusiva de uísque em Nova York, cujo custo ultrapassou a impressionante marca de US$ 1 milhão, equivalente a cerca de R$ 5 milhões na cotação da época. Outro jantar na mesma cidade nova-iorquina resultou em uma conta superior a US$ 13 mil.
A Polícia Federal identificou um **“sincronismo”** preocupante entre essas celebrações privadas e a liberação de recursos públicos para investimentos no Banco Master. Essa coincidência levanta fortes suspeitas sobre a natureza das relações e possíveis favores em troca de benefícios financeiros.
O Mecanismo do Suposto Esquema com o RioPrevidência
A suspeita da Polícia Federal é de que o fundo de pensão dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, o RioPrevidência, tenha sido alvo de uma **“expropriação”**. Após os luxuosos encontros financiados pelo banqueiro, o RioPrevidência realizou aportes que somaram quase R$ 3,7 bilhões no Banco Master. Esses investimentos foram feitos por meio de Letras Financeiras e fundos estruturados.
A investigação aponta que **mudanças estratégicas na gestão do fundo** ocorreram para facilitar essas aplicações financeiras, mesmo diante de alertas sobre os riscos envolvidos. Esse direcionamento de recursos públicos para um banco específico, em paralelo a eventos de ostentação, é o cerne das apurações.
Outras Autoridades Presentes em Confraternizações Milionárias
As investigações também revelaram que o banqueiro Daniel Vorcaro promoveu outras confraternizações de alto custo. Em Londres, em 2024, uma degustação de uísque reuniu figuras proeminentes, incluindo ministros do STF, o procurador-geral da República e parlamentares, com um custo estimado em mais de R$ 3 milhões. Contudo, o STF esclareceu que a simples presença em eventos sociais não configura impedimento legal, e não há indícios de que essas outras autoridades estejam sob investigação ou tenham cometido irregularidades.
Defesas Rebatem Acusações e Negam Irregularidades
A defesa de Cláudio Castro nega veementemente qualquer relação indevida, afirmando que os encontros com o banqueiro foram de caráter institucional e ocorreram dentro da normalidade. O Banco Master também refuta as acusações, sustentando que todas as operações realizadas com o RioPrevidência seguiram rigorosamente os critérios técnicos, legais e regulatórios estabelecidos.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou publicamente após as últimas revelações da Polícia Federal sobre o caso. As partes envolvidas buscam desconstruir as suspeitas de irregularidades e favorecimento em detrimento do interesse público.