Meta de Trump ou Teoria da Conspiração? Captura de Maduro Reacende Debate sobre "Divisão do Mundo" em Esferas de Influência

Meta de Trump ou Teoria da Conspiração? Captura de Maduro Reacende Debate sobre “Divisão do Mundo” em Esferas de Influência

Resumo

A captura de Nicolás Maduro na Venezuela e a política externa dos Estados Unidos sob a gestão Trump têm reacendido um debate acalorado nas redes sociais e entre analistas: estariam as grandes potências globais arquitetando uma divisão do mundo em esferas de influência?

A afirmação de que “este é o nosso hemisfério e o presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada”, feita pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, após a operação, reforça a visão de que os EUA buscam consolidar seu domínio nas Américas.

Essa abordagem, que remete à Doutrina Monroe do século XIX, tem sido interpretada por alguns como um sinal de que os Estados Unidos, a Rússia e a China estariam dispostos a redefinir as fronteiras geopolíticas globais. A discussão ganhou força com a divulgação da mais recente doutrina de segurança nacional americana, que prioriza o Hemisfério Ocidental.

No entanto, nem todos os especialistas concordam com a ideia de um plano coordenado de “divisão do mundo”. Conforme informações divulgadas pela revista The Atlantic, alguns analistas veem a situação mais como uma busca por projeção de poder individual do que um acordo entre potências para dividir o planeta.

Teorias de Divisão Geopolítica Ganham Força

Ilustrações que circulam nas redes sociais mostram o mundo dividido em três grandes esferas: o Hemisfério Ocidental sob domínio dos Estados Unidos, o leste europeu e a África controlados pela Rússia, e a Ásia sob influência da China. Essa visão encontra eco em discursos recentes.

O presidente da França, Emmanuel Macron, ao discursar para embaixadores franceses, mencionou a “verdadeira tentação de dividir o mundo” por parte das grandes potências. Ele observou que as instituições multilaterais estão funcionando com menos eficácia.

A jornalista Anne Applebaum, em artigo para a The Atlantic, relembrou que em 2019 já se falava em pressões russas para a criação de esferas de influência, com uma possível “troca” da Venezuela pela Ucrânia. Applebaum argumenta que a “noção de que as relações internacionais devem promover o domínio das grandes potências se espalhou de Moscou para Washington”.

Ela também aponta que a nova estratégia de segurança nacional americana “delineia um plano para dominar as Américas”, ao mesmo tempo que a gestão Trump desafia a soberania de aliados como Dinamarca, Panamá e Canadá.

Doutrina Monroe e a Busca por Domínio Regional

Gideon Rachman, colunista do Financial Times, sugeriu que a “Doutrina Donroe” (um jogo de palavras com o nome de Trump) combinada com suas iniciativas em relação à Rússia e China, indica uma atração por uma ordem mundial baseada em esferas de influência. Ele acredita que tanto a China quanto a Rússia poderiam sacrificar influências regionais em troca de consolidação em seus próprios “quintais”, como Taiwan e a Ucrânia.

Contudo, essa perspectiva é contestada por alguns especialistas. O economista Igor Lucena, em entrevista à Gazeta do Povo, considera que há “um pouco de teoria da conspiração” nesses comentários.

Lucena explica que, embora Trump busque aumentar a proeminência dos EUA na América Latina, a intenção americana não se limita a reduzir a influência de China e Rússia apenas nessas regiões, mas sim globalmente.

Ele argumenta que os Estados Unidos “não querem a China invadindo Taiwan, não querem a China ampliando seu território ou sua influência em países que consideram aliados”. Da mesma forma, “não querem a Rússia tomando toda a Ucrânia”.

Especialistas Dividem Opiniões sobre o Cenário Global

Para Lucena, a estratégia americana visa “minar potências ascendentes, e a grande potência ascendente hoje é a China, ou mesmo potências que, embora estejam em decadência, ainda são grandes, como a Rússia”.

Ele concorda que Trump “quer, sim, aumentar sua área de influência na América Latina e no Hemisfério Ocidental”, mas considera “muito difícil acreditar que exista um plano para dividir o mundo em três áreas e que essas potências estariam organizando isso entre si”. Para o especialista, “aí já é demais”.

A divergência entre os especialistas reflete a complexidade do atual cenário geopolítico, onde as ações de potências globais e as teorias conspiratórias se entrelaçam na forma como a sociedade interpreta as relações internacionais.

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