Justiça Eleitoral oficializa expulsão de Aldo Rebelo do Democracia Cristã (DC) após disputa interna acirrada
A Justiça Eleitoral confirmou a expulsão do ex-ministro Aldo Rebelo do partido Democracia Cristã (DC). A decisão, assinada pelo juiz eleitoral Tiago Machado, da Primeira Zona Eleitoral de São Paulo, homologou a desfiliação do político, que vinha travando uma disputa interna pela pré-candidatura à presidência da República.
O rompimento ocorreu em meio a um cenário de instabilidade no partido, marcado pelo anúncio do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, como pré-candidato do DC à presidência. Barbosa, contudo, ainda não oficializou sua candidatura para a eleição de outubro, que também conta com a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Aldo Rebelo negou a versão de expulsão, classificando o ato como uma homologação de um pedido de desfiliação que ele considerou irregular e ilegal. Segundo o ex-ministro, o processo de expulsão exigiria um rito que não foi iniciado, e os atos da direção do DC estariam eivados de ilegalidades. A reportagem buscou o pronunciamento do Democracia Cristã, mas aguarda retorno.
Crise interna se aprofunda com a entrada de Joaquim Barbosa
A entrada de Joaquim Barbosa na articulação política do DC acentuou o desgaste entre a direção do partido e Aldo Rebelo. A crise escalou com declarações públicas e divergências entre o ex-ministro e o presidente nacional da sigla, João Caldas. O Democracia Cristã emitiu nota repudiando veementemente os ataques de Rebelo, afirmando que suas manifestações públicas não condizem com os valores democratas-cristãos.
Em resposta, Aldo Rebelo declarou que a expulsão não afeta sua honra ou dignidade, pois não há fatos que justifiquem tal medida. Ele acusou o partido de promover perseguição política e atropelar seu próprio estatuto, violando o princípio da livre manifestação e a inaptidão em conviver com críticas divergentes. Rebelo também apontou violação das garantias constitucionais do devido processo legal e premeditação do resultado para sua desfiliação.
Aldo Rebelo reafirma pré-candidatura e contesta decisão judicial
O ex-ministro alegou ainda a quebra do princípio da imparcialidade e transgressões às normas estatutárias do partido. Ele considerou a abertura de processo sumário como um exercício abusivo de direito, que deve ser rechaçado judicialmente. Mesmo com a decisão da Justiça Eleitoral homologando sua saída, Aldo Rebelo indicou sua intenção de manter sua movimentação política interna.
“Reafirmo a determinação de prosseguir na jornada de minha pré-candidatura até a convenção partidária, instância autorizada para decidir soberanamente a escolha de candidaturas do partido”, afirmou Rebelo, demonstrando que a disputa pela liderança e pelas candidaturas do DC está longe de terminar.