Até uma criança enxerga a verdade: Contratos milionários e a hipocrisia que cega o Brasil adulto

Até uma criança enxerga a verdade: Contratos milionários e a hipocrisia que cega o Brasil adulto

Resumo

A simplicidade infantil revela verdades que o Brasil adulto ignora em meio a acordos milionários e convenções sociais.

Uma criança, com sua visão pura e desprovida de preconceitos, seria capaz de enxergar fatos com uma clareza impressionante. Essa capacidade, muitas vezes perdida na vida adulta, nos aprisiona em um emaranhado de convenções, costumes e etiquetas que nos impedem de ver a realidade como ela é.

A revelação de um escritório de advocacia, ligado à família de um juiz influente, ter sido contratado por R$ 129 milhões, é um exemplo gritante. Enquanto um adulto pode hesitar em tirar conclusões, uma criança questionaria imediatamente a ética por trás de tal acordo.

Essa aparente simplicidade infantil, no entanto, revela uma profunda inteligência e um senso de justiça que deveriam inspirar a reflexão. A jornalista Malu Gaspar, em 9 de dezembro, expôs o contrato, mas para o Brasil adulto, pouco mudou. O juiz permaneceu em seu cargo, inclusive supervisionando um inquérito iniciado de forma irregular, contrariando princípios básicos do direito penal e a própria Constituição. A informação foi divulgada por Malu Gaspar.

A lógica infantil diante de cifras e conexões suspeitas

Uma criança curiosa perguntaria se o escritório mais renomado do país cobraria tal valor. Indagaria se um contrato milionário seria possível sem a ligação com um ministro do Supremo Tribunal Federal. Questões como essas, formuladas com a inocência de quem ainda não foi moldado pela hipocrisia, desvendam a teia de interesses e privilégios que parecem reger certas decisões.

Será que o escritório Tayayá receberia R$ 35 milhões do Master e R$ 25 milhões da J&F se não tivesse laços com Gilmar Mendes? Guido Mantega teria um contrato de R$ 1 milhão por mês com o Master se não fosse próximo a Lula e indicado por Jacques Wagner? Perguntas que expõem a fragilidade das justificativas oficiais.

A exclusividade do Master no CredCesta, por exemplo, seria mantida se não houvesse amizade com governadores do PT da Bahia? E o contrato de R$ 5 milhões do Master para consultoria seria destinado a Ricardo Lewandowski se ele não tivesse sido ministro do Supremo? A irmã, o filho e a Consult de Nunes Marques teriam recebido R$ 18 milhões do Master e da J&F se ele não ocupasse tal cargo?

E Lulinha, receberia aportes de Roberta Luchsinger e de uma agência de viagens se não fosse filho do presidente? Uma criança desconfiaria imediatamente da compra do Master pelo BRB ou da aplicação de dinheiro de fundos de aposentadoria no Master, perguntando incansavelmente: “Quem recebeu?”.

Festas, jatinhos e a criação de laços pela promiscuidade

Se uma criança pudesse saber sobre festas em Trancoso ou degustações em Londres, certamente perguntaria se eram celebrações de aniversário. A resposta, claro, seria não. O objetivo, como aponta a fonte, era criar intimidade através da promiscuidade, facilitada por jatinhos e eventos luxuosos.

Esses fatos são transparentes para uma criança, mas para o mundo adulto, a hipocrisia atua como um véu, obscurecendo a realidade. A ideia de que nada fica claro até o devido processo legal é questionada, pois a verdade, muitas vezes, se revela antes, quando nos despimos da falsidade.

A falta de memória e a repetição de escândalos no Brasil

No entanto, em respeito às formalidades de um Estado organizado, aguardamos os ritos legais de investigação, provas, denúncias e julgamentos. É crucial lembrar a carência de memória no Brasil, onde escândalos de corrupção se repetem ciclicamente.

Ao longo de 50 anos de jornalismo em Brasília, testemunhei a caça a mordomias, marajás, anões do orçamento, mensaleiros e a Lava Jato. Agora, vemos os mesmos penduricalhos, roubos a idosos e a compra de autoridades dos três poderes. Presidentes do Senado chegam a bloquear investigações sobre ministros do Supremo cujas ações são cristalinas.

Tudo se repete porque parte dos corruptos chega ao poder pelo voto de adultos. Não foram as crianças que escolheram representantes desonestos. Foram adultos que optaram por aqueles que, em vez de servir, desonram o poder em seu nome. Uma criança, com sua visão aguçada, perceberia a verdade “de cara”. Neste ano, os adultos terão a oportunidade de repetir o erro ou demonstrar arrependimento em suas escolhas.

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