Ativistas de Hong Kong condenados a 7 anos de prisão por vigílias em memória do Massacre da Praça da Paz Celestial
Três ativistas de Hong Kong, conhecidos por organizar vigílias anuais em memória das vítimas do Massacre da Praça da Paz Celestial, foram sentenciados a penas de prisão por acusações de “incitação à subversão do poder estatal”. As condenações, baseadas em uma rigorosa lei de segurança nacional, marcam um novo capítulo na repressão a manifestações pró-democracia na cidade.
Chow Hang-tung e Lee Cheuk-yan, figuras proeminentes na organização das homenagens, receberam as sentenças mais severas. Chow foi condenada a sete anos e três meses de prisão, enquanto Lee foi sentenciado a sete anos. Um terceiro réu, Albert Ho, que se declarou culpado em janeiro, recebeu uma pena de cinco anos e dois meses. O grupo que organizava a vigília, a Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Patrióticos e Democráticos da China, também foi multado em 1,5 milhão de dólares de Hong Kong, o equivalente a R$ 980 mil.
Essas sentenças ocorrem em um contexto de crescente restrição à liberdade de expressão em Hong Kong. A cidade, que antes era um dos poucos locais na China continental onde atos em memória do Massacre da Praça da Paz Celestial eram permitidos, viu essas manifestações serem proibidas em 2020, sob o pretexto de medidas relacionadas à Covid-19. Mesmo após o fim da pandemia, as homenagens não foram mais realizadas, refletindo o impacto da lei de segurança nacional imposta ao território.
O Massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em Pequim em 1989, foi uma violenta repressão a protestos pró-democracia liderada pela ditadura comunista, que resultou na morte de mais de 2 mil pessoas. A proibição e criminalização das homenagens a essas vítimas em Hong Kong geram preocupação internacional sobre o futuro dos direitos civis na região.
Declaração de Chow Hang-tung: “Prefiro ser criminosa a trair minha consciência”
Antes do anúncio de sua sentença, a ativista Chow Hang-tung expressou sua posição em uma declaração publicada em sua página no Patreon. Ela afirmou que, se agir de acordo com suas convicções a torna uma criminosa, ela prefere essa condição a ser alguém que trai a própria consciência. A declaração ressalta a forte convicção dos ativistas em defender a memória das vítimas do massacre e os ideais democráticos.
O Massacre da Praça da Paz Celestial e sua repressão
O evento de 1989 em Pequim é um marco sombrio na história recente da China. A resposta violenta do governo aos protestos pacíficos que pediam reformas democráticas chocou o mundo e gerou condenação internacional. A tentativa de apagar a memória desse evento através de leis repressivas em Hong Kong é vista por muitos como uma continuidade dessa política de silenciamento.
Lei de Segurança Nacional em Hong Kong: um instrumento de repressão
A lei de segurança nacional, que entrou em vigor em Hong Kong há seis anos, tem sido amplamente criticada por organizações de direitos humanos. A lei permite que as autoridades processem crimes contra a segurança do Estado, com penas severas, e tem sido utilizada para reprimir a dissidência e limitar as liberdades civis na cidade. As condenações dos ativistas são um reflexo direto do impacto dessa legislação.
O papel de Hong Kong como espaço de memória democrática
Por muitos anos, Hong Kong se destacou como um raro espaço na China onde a memória do Massacre da Praça da Paz Celestial podia ser publicamente celebrada. As vigílias anuais eram um símbolo de resistência e um lembrete da importância da democracia e dos direitos humanos. A proibição dessas manifestações e a condenação de seus organizadores representam uma perda significativa para a sociedade civil e para a luta pela liberdade de expressão.