Banco Master Pagou Milhões a Escritórios de Políticos como Temer, Meirelles e Ratinho, Revelam Dados da Receita Federal
Dados da Receita Federal, obtidos pela Folha de S.Paulo e enviados à CPI do Crime Organizado, indicam que o Banco Master efetuou pagamentos vultosos a escritórios de advocacia e empresas com conexões políticas. A lista de beneficiários inclui nomes proeminentes de diversos espectros políticos, como Michel Temer, Antonio Rueda, ACM Neto, além de ex-ministros como Guido Mantega, Fabio Wajngarten e Henrique Meirelles, e até o ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski.
As informações detalham repasses significativos, que agora são objeto de escrutínio e geram debates sobre a transparência e a legalidade das transações. A divulgação desses dados pela imprensa levanta um alerta sobre a influência e os fluxos financeiros envolvendo instituições bancárias e figuras públicas no país.
As revelações, baseadas em documentos fiscais, expõem uma rede de pagamentos que abrange consultorias, mediações e outros serviços. O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, está no centro dessas investigações, com seus repasses sob análise detalhada pelas autoridades competentes.
Temer e Meirelles: Pagamentos e Justificativas
De acordo com o jornal, o escritório de Michel Temer recebeu R$ 10 milhões em 2025. O ex-presidente, no entanto, declarou à imprensa ter recebido R$ 7,5 milhões por serviços de mediação. Por sua vez, Henrique Meirelles teria recebido R$ 18,5 milhões entre 2024 e 2025. O ex-ministro confirmou a prestação de consultoria macroeconômica, mas alegou ter rescindido o contrato em julho de 2025 devido à baixa demanda pelos serviços.
Rueda e Wagner: Questionamentos sobre Vazamento e Rendimentos
Antonio Rueda (União Brasil) teria recebido R$ 6,4 milhões através de dois escritórios. Ele questionou a legalidade do vazamento dos dados e defendeu a natureza técnica dos serviços prestados. Já o senador Jaques Wagner (PT-BA) apareceu na lista com R$ 289 mil como pessoa física. O parlamentar negou pagamentos diretos do banco, explicando que o valor se refere a rendimentos de aplicações financeiras. Além disso, o banco teria pago R$ 12 milhões à BN Financeira, de Bonnie Bonilha, nora do senador. A empresa afirmou que os serviços, que incluem prospecção e convênios de crédito, foram regulares, contabilizados e declarados.
Conexões com o Governo Anterior e Empresas Familiares
O ex-ministro da Comunicação de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, teria recebido R$ 3,8 milhões, segundo os documentos. Ele declarou ter sido contratado para a equipe de defesa de Daniel Vorcaro em 2025, destacando a confidencialidade do contrato. Empresas do Grupo Massa, do apresentador Ratinho e pai do governador do Paraná, Ratinho Junior, também figuram na lista, com repasses totais de pelo menos R$ 24 milhões entre 2022 e 2025. O Grupo Massa esclareceu que o governador Ratinho Jr. não faz parte do quadro societário das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul, que prestam consultoria empresarial e intermediação de negócios, respectivamente.
Daniel Vorcaro e Delação Premiada
A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, optou por não se manifestar sobre o tema. Vorcaro foi preso na operação Compliance Zero e transferido para a Superintendência da PF em Brasília. Relatos indicam que ele tem recebido visitas frequentes de advogados para delinear os termos de uma possível delação premiada, que deve detalhar operações financeiras e conexões investigadas.