BC Sabia de Ativos Podres do Master Desde Março de 2025, Diz Diretor em Depoimento à PF na Operação Compliance Zero

BC Sabia de Ativos Podres do Master Desde Março de 2025, Diz Diretor em Depoimento à PF na Operação Compliance Zero

Resumo

Banco Central monitorava operações suspeitas do Master desde março de 2025, aponta diretor em depoimento à PF

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou em depoimento à Polícia Federal que a autarquia já tinha ciência, desde março de 2025, sobre graves inconsistências e a falta de lastro real em carteiras de crédito negociadas pelo Banco Master. Essas operações, que envolviam a venda de ativos para o BRB por R$ 12,2 bilhões, foram objeto de acompanhamento pela autoridade monetária antes mesmo da liquidação extrajudicial do Master, ocorrida em novembro do mesmo ano.

A informação, divulgada pelo portal Metrópoles, lança luz sobre o timing da intervenção no Banco Master e a extensão do conhecimento do Banco Central sobre as irregularidades. As declarações de Aquino, prestadas no final de dezembro, indicam que o BC atuou para que o BRB detalhasse as operações da Tirreno, empresa envolvida na negociação, após identificar a necessidade de maior transparência.

As investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, apontam que Daniel Vorcaro, proprietário do Master, teria comprado R$ 6,7 bilhões em ativos problemáticos da Tirreno e os revendido ao BRB por um valor significativamente maior. A PF investiga se houve movimentação financeira efetiva na compra desses ativos antes de serem repassados ao banco público. Conforme o portal Metrópoles, o caso tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

BC intensificou monitoramento após questionamento formal em março de 2025

Segundo Ailton de Aquino, foi um **questionamento formal do Banco Central em março de 2025** que levou o BRB a iniciar o reporte detalhado das carteiras de crédito da Tirreno. Antes disso, as operações não apresentavam o nível de transparência exigido pelo regulador. O diretor confirmou que o BC passou a monitorar de perto as atividades após identificar os problemas, indicando um **conhecimento prévio sobre os ativos podres** negociados.

Aquino também relatou que o Banco Central acompanhou as tentativas do BRB de corrigir as falhas. Em 18 de junho de 2025, o banco público informou ao BC sobre um processo de diligência para **”internalizar ativos”**, buscando compensar a carteira problemática com outros ativos do próprio Master. A medida demonstrava a ciência da gravidade da situação e a necessidade de ações corretivas.

Reservas de R$ 5 bilhões podem ser necessárias para cobrir perdas no BRB

O diretor do Banco Central avalia que o BRB poderá precisar de uma **reserva de recursos “de elevada monta”** para cobrir as perdas decorrentes da negociação com o Master. A estimativa preliminar, segundo apuração da Folha de S.Paulo, aponta que o valor pode chegar a R$ 5 bilhões, devido à **baixa qualidade dos ativos** adquiridos. Aquino mencionou que a necessidade de provisão pode chegar a mais R$ 2,2 bilhões.

A investigação também aponta para o envolvimento do empresário Henrique Peretto, que Daniel Vorcaro teria indicado como “avalista” do negócio das carteiras da Tirreno. Peretto é suspeito de ter ampliado o capital social da Tirreno de forma irregular antes da venda dos ativos. Ele chegou a ser preso preventivamente na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi liberado dias depois.

Anotação indica pressão para salvar o Master

Uma anotação apreendida pela PF em uma agenda da cúpula do BRB, referente a uma reunião em julho de 2025, sugere que o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, teria afirmado a necessidade de efetuar as compras pois, **”se não houver, o Master vai quebrar”**. Essa informação indica uma possível pressão para realizar a transação, visando evitar a falência do Master.

Em seu depoimento, Paulo Henrique Costa negou que o objetivo fosse a “salvação do Master”. Ele alegou que o BRB agiu com diligência ao identificar “atipicidade de padrão documental” e buscou substituir ativos para proteger a instituição. Costa afirmou que a eventual quebra do Master seria um problema da própria instituição.

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