Brasil que dá certo contra a violência: Valorização policial e asfixia financeira do crime em foco
Um panorama desolador da violência tem dominado as manchetes brasileiras, com notícias de operações policiais com alto número de mortos, monitoramento e execuções por policiais e a atuação de facções criminosas infiltradas em diversos setores da economia. A realidade assustadora é que 88 grupos criminosos, com características de facções como o PCC e o Comando Vermelho, atuam em todo o território nacional, afetando diretamente 19% da população brasileira, conforme aponta pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
No entanto, em meio a esse cenário sombrio, surgem exemplos de sucesso e iniciativas que apontam um caminho promissor para o combate à criminalidade. A valorização da carreira policial, a integração de forças de segurança e, principalmente, medidas eficazes de asfixia financeira do crime organizado têm se mostrado ferramentas cruciais para reverter o quadro de insegurança.
Investigações recentes, como as operações Carbono Oculto e Soldi Sporchi, revelaram como facções criminosas utilizam setores como o de combustíveis para lavar dinheiro e expandir seus lucros através de adulterações e fraudes fiscais. Esses golpes financeiros, que podem movimentar bilhões de reais, demonstram a importância de atacar a estrutura econômica do crime organizado para desarticulá-lo efetivamente. As informações são baseadas em levantamentos do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal.
Asfixia financeira: Um golpe certeiro contra o crime organizado
Operações como a Carbono Oculto desarticularam esquemas que envolviam a lavagem de dinheiro do PCC através de distribuidoras de combustíveis e fundos de investimento. Mais de R$ 1 bilhão tiveram movimentação bloqueada pela Justiça, com estimativas de que o valor total envolvido no esquema ultrapasse os R$ 50 bilhões. A atuação conjunta do Ministério Público e da Polícia Federal, com o apoio de órgãos como o Banco Central, tem sido fundamental para identificar e sanear o mercado financeiro de atividades ilícitas.
O advogado Evandro Capano destaca que o sufocamento financeiro das organizações criminosas é a ferramenta mais importante no combate à criminalidade. Ele ressalta que o aprimoramento dos instrumentos de auditoria e saneamento do mercado financeiro é essencial. A resolução 5.621/25 do Conselho Monetário Nacional, que proibiu as chamadas “contas bolsão”, é um exemplo de medida estrutural que dificulta a ocultação da origem e dos donos do dinheiro.
Estados que se destacam no combate à violência
Enquanto o cenário nacional é desafiador, alguns estados brasileiros demonstram resultados positivos no controle da criminalidade. Santa Catarina lidera o ranking nacional de segurança pública, com uma taxa de 9 homicídios para cada 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2025. O estado também apresenta alta taxa de resolutividade de homicídios, chegando a 77,17% nos últimos cinco anos, índice comparável a países desenvolvidos, enquanto a média nacional foi de 39% em 2022.
Goiás é outro exemplo de sucesso, com queda consistente nos índices de criminalidade. O estado registrou 11,27 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, abaixo da média nacional, e apresentou alta taxa de resolução de crimes, com 92%. A redução em roubos de veículos, comércios e residências também é notável, com quedas expressivas nos últimos anos. A queda na violência no estado foi de até 97,6% entre 2018 e 2024.
Valorização policial e investimento em segurança como pilares
Tanto em Santa Catarina quanto em Goiás, a valorização da carreira policial e o investimento em segurança pública são fatores comuns de sucesso. O governo de Goiás, por exemplo, investiu R$ 17 bilhões na área da segurança entre 2019 e 2024, com salários iniciais atrativos para soldados da Polícia Militar e da Polícia Civil. Essa política de atração e retenção de talentos, aliada a investimentos em tecnologia e inteligência, fortalece as instituições de segurança.
A legislação brasileira também tem se adaptado para o combate às organizações criminosas. A Lei 15.358/26, conhecida como PL Antifacção, positivou o conceito de “domínio social estruturado”, classificando e combatendo de forma mais eficaz a atuação das facções. Essas medidas, combinadas com a inteligência policial e a colaboração entre os órgãos de segurança e o Ministério Público, formam um conjunto robusto de ações para garantir um Brasil mais seguro.