Brasil Recusa Classificar PCC e CV como Terroristas, Diz Chanceler Brasileiro a Marco Rubio dos EUA

Brasil Recusa Classificar PCC e CV como Terroristas, Diz Chanceler Brasileiro a Marco Rubio dos EUA

Resumo

Brasil contesta classificação de facções como terroristas em diálogo com os EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou recentemente ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que o governo brasileiro é contra a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A posição foi comunicada em uma conversa telefônica entre os dois diplomatas.

Vieira destacou que a distinção entre organizações criminosas e terroristas é fundamental para o Brasil. Ele explicou que, enquanto o foco das primeiras é o ganho financeiro, as organizações terroristas possuem objetivos políticos com inspirações diversas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia conversado sobre essa posição com o ex-presidente Donald Trump.

Essa divergência de opiniões ocorre em um momento em que os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, defendiam a mudança na classificação. A posição brasileira, conforme divulgada pelo Itamaraty, visa evitar que tal medida abra brechas para intervenções externas no país, uma avaliação feita desde maio do ano passado.

Propostas de cooperação contra o crime transnacional

Durante o diálogo com Marco Rubio, Mauro Vieira ressaltou a importância de uma cooperação mais intensa entre Brasil e Estados Unidos no combate ao tráfico internacional de drogas e de armas. O ministro apresentou a visão brasileira de que o crime organizado representa um flagelo global que exige ações conjuntas e concretas.

Vieira mencionou que foram trocadas ideias e propostas para um acordo de combate ao crime transnacional. Ele enfatizou que o Brasil busca iniciativas práticas com o governo americano, focando não apenas no tráfico de drogas e seu consumo, mas também no contrabando de armas, um ponto crítico na conversa.

Tráfico de armas: um ponto de atenção entre Brasil e EUA

Um dos pontos centrais levantados pelo ministro Mauro Vieira foi a origem da maioria das armas em mãos de organizações criminosas no Brasil. Segundo o chanceler, a **grande maioria, quase a totalidade, das armas em mãos das organizações criminosas no Brasil vem dos Estados Unidos**. Essa constatação reforça a necessidade de colaboração mútua.

O ministro reiterou que é preciso trabalhar em conjunto para combater esse tipo de crime, bem como os crimes financeiros associados. A cooperação visa fortalecer as ações de inteligência e de repressão, buscando desarticular redes criminosas que atuam em escala internacional e afetam diretamente a segurança pública brasileira.

Posição brasileira sobre facções criminosas

A posição do governo brasileiro, de não classificar o PCC e o CV como terroristas, baseia-se na diferenciação conceitual entre os tipos de organizações. O ministro Vieira explicou que a **diferença entre crime organizado e terrorismo é clara**, com motivações distintas que demandam abordagens específicas de combate e cooperação internacional.

Essa diretriz já havia sido comunicada anteriormente, em maio do ano passado, ao chefe interino da Coordenação de Sanções dos Estados Unidos, David Gamble. Na ocasião, o governo brasileiro reafirmou que não pretendia adotar essa classificação para as facções brasileiras, mantendo a coerência em sua política externa e de segurança.

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