Câmara dos Deputados Aprova PL Antifacção em Versão Mais Rígida de Derrite, Vetando Taxação de Apostas Online

Câmara dos Deputados Aprova PL Antifacção em Versão Mais Rígida de Derrite, Vetando Taxação de Apostas Online

Resumo

Câmara dos Deputados aprova versão mais rigorosa do PL Antifacção, endurecendo punições contra organizações criminosas.

Em uma votação simbólica nesta terça-feira (24), a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei antifacção, que tem como objetivo aumentar as penas para integrantes de organizações criminosas. A proposta, que agora segue para sanção presidencial, retoma as regras mais rígidas aprovadas anteriormente pela própria Câmara, após um acordo firmado com o governo.

O texto prevaleceu na versão do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), rejeitando a maior parte das modificações feitas pelo Senado. Derrite argumentou que as alterações propostas pelo relator no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), poderiam levar a um “enfraquecimento estrutural” do marco legal e ao “reforço da impunidade”, defendendo a manutenção das punições mais severas.

Esta decisão foi consolidada após uma reunião de líderes, onde o líder do PT, Pedro Uczai (SC), retirou os destaques que poderiam modificar o parecer. Conforme informação divulgada pela Câmara, o novo projeto cria o tipo penal de “domínio social estruturado”, detalhando 11 condutas específicas com penas que podem chegar a 40 anos de reclusão.

Novas Punições e Tipificação Penal para o Crime Organizado

O projeto aprovado estabelece o crime de “domínio social estruturado”, que abrange práticas como o “domínio de cidades”, o “novo cangaço”, a imposição de barricadas e ataques a serviços públicos essenciais. Para essas condutas, a pena prevista varia de 20 a 40 anos de reclusão, representando um endurecimento significativo no combate às facções.

Uma das principais divergências superadas pela Câmara se referia à destinação de bens apreendidos. O texto original da Câmara, que foi restaurado, define um critério matemático para a divisão dos recursos e patrimônios confiscados de organizações criminosas.

Destino dos Bens Apreendidos e Financiamento da Segurança Pública

Em investigações conjuntas entre a Polícia Federal e as Polícias Civis estaduais, 50% dos recursos apreendidos serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e os outros 50% ao Fundo Estadual correspondente. Se a investigação for conduzida exclusivamente pela Polícia Federal, 100% dos bens e valores serão direcionados ao fundo federal.

O relator, Guilherme Derrite, havia acolhido uma inovação do Senado que criava a Cide-Bets, uma contribuição de 15% sobre as transferências para plataformas de apostas online, com a arrecadação destinada ao FNSP. No entanto, durante a votação em plenário, um destaque do PP retirou este trecho do projeto.

Cide-Bets será discutida em projeto separado

A decisão de retirar a Cide-Bets do PL antifacção foi justificada pelos deputados sob o argumento de que a tributação de apostas online deve ser analisada em um projeto de lei específico. A estimativa de Alessandro Vieira era de que essa contribuição pudesse gerar cerca de R$ 30 bilhões ao ano, exclusivamente para ações de combate ao crime organizado, infraestrutura de inteligência e o sistema penitenciário.

Com a aprovação do texto mais rigoroso, a expectativa é que o combate às organizações criminosas ganhe novas ferramentas e punições mais eficazes, reforçando a segurança pública no país.

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