Celular de indicado de Alcolumbre some em operação da PF: Relatório aponta possível vazamento e sumiço de aparelho de Jocildo Lemos na Amprev

Celular de indicado de Alcolumbre some em operação da PF: Relatório aponta possível vazamento e sumiço de aparelho de Jocildo Lemos na Amprev

Resumo

Operação na Amprev: PF investiga possível vazamento e sumiço de celular de indicado de Davi Alcolumbre

Um relatório da Polícia Federal (PF) enviado à Justiça Federal levanta suspeitas de que alvos de uma operação sobre aplicações da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master podem ter sido avisados previamente. No centro das investigações está Jocildo Silva Lemos, então diretor-presidente da autarquia e indicado ao cargo pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Segundo o documento, Lemos teria deixado sua residência pouco antes da chegada dos policiais. Ao retornar, ele entregou um celular recém-habilitado, sem registros de uso, justificando que seu aparelho principal estava com problemas na tela e que o havia emprestado a um amigo na noite anterior.

A atitude e a entrega de um aparelho sem histórico levantam dúvidas sobre a integridade da coleta de provas, podendo configurar obstrução de investigação. A investigação busca determinar se houve conhecimento antecipado da operação, o que comprometeria sua eficácia. Conforme informação divulgada pela PF, o episódio envolvendo o celular pode ser crucial para entender se houve tentativa de frustrar a coleta de provas e se outras pessoas foram alertadas.

Pedido de exoneração e defesa de Lemos

Em resposta às suspeitas, Jocildo Lemos pediu exoneração do cargo de Diretor-Presidente da Amprev. Em nota divulgada, ele afirmou ter absoluto compromisso com a instituição, os segurados e a verdade dos fatos, buscando garantir a independência da Justiça para comprovar a legalidade dos procedimentos sob sua gestão.

Lemos reiterou sua confiança na Justiça e destacou que, durante sua administração, o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e 2025. Ele também reafirmou que todos os procedimentos adotados observaram rigorosamente a legalidade, permitindo a identificação e responsabilização dos verdadeiros culpados.

Detalhes da operação e suspeitas de vazamento

O relatório da PF detalha que a equipe chegou à residência de Lemos por volta das 6h da última sexta-feira (6). Familiares autorizaram a entrada, mas Lemos não estava presente, alegando ter saído para atividades físicas e levado seu telefone pessoal. Ao retornar, ele não demonstrou surpresa com a presença dos agentes e entregou voluntariamente um celular com senha.

Uma análise preliminar do aparelho revelou que era um telefone habilitado há poucos dias, sem chamadas, mensagens ou sinais de uso regular. Questionado sobre seu aparelho de uso contínuo, Lemos informou que o havia repassado a um amigo na noite anterior, devido a um problema na tela. A PF solicitou a entrega deste aparelho, mas ainda não há confirmação de que foi destinado à polícia.

Um elemento considerado sensível pela investigação foi uma ligação telefônica realizada por este amigo, que também atua na Amprev, para o celular da esposa de Jocildo Lemos, minutos antes da operação ser deflagrada. O celular da mulher de Lemos foi apreendido, e investigadores alertam para o risco de conhecimento antecipado da medida judicial.

Investigações sobre aplicações no Banco Master

A investigação da PF mira decisões tomadas em julho de 2024, quando a Amprev aprovou aplicações que somaram aproximadamente R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master. Esses papéis não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Documentos e atas de reuniões indicam que parte das decisões foi tomada mesmo após alertas formais de conselheiros sobre a exposição concentrada e a necessidade de diligências adicionais, recomendando consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Apesar das ressalvas, as propostas foram aprovadas. A PF apura se houve gestão temerária ou fraude na condução dessas aplicações. Segundo o jornal O Globo, Jocildo Lemos teria afirmado após a aprovação dos primeiros R$ 200 milhões que a decisão havia “tirado um peso das suas costas”, uma afirmação não registrada em ata.

Ligação com Davi Alcolumbre e desdobramentos políticos

A operação na Amapá Previdência, segundo fundo de previdência com maior aporte no Master atrás apenas da Rioprevidência, aproximou o escândalo do núcleo político ligado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Alcolumbre não é investigado e sua assessoria nega qualquer participação na indicação ou interferência nas decisões de investimento da Amprev, classificando qualquer vinculação como “falsa e irresponsável”.

A presença de Alberto Alcolumbre, irmão do senador, no Conselho Fiscal da Amprev desde agosto do ano passado, intensificou o debate político. Alberto Alcolumbre também não é investigado.

Jocildo Silva Lemos presidiu a Amapá Previdência de 2023 até esta quarta-feira (11). Ele foi nomeado pelo governador Cléccio Luí­s (Uniã­o Brasil) e declarou ter sido indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Antes de comandar a autarquia, atuou como tesoureiro em campanhas eleitorais de Alcolumbre.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra Jocildo Lemos, Jackson Oliveira e José Milton Gonçalves, integrantes do comitê de investimentos da Amprev ligados à aprovação do fundo previdenciário estadual no Master. Apenas dois conselheiros manifestaram temor sobre os riscos das operações, mas foram votos vencidos.

Amprev se diz lesada e busca ressarcimento

Em nota, a Amprev declarou se sentir “lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida”. A instituição informou ter ingressado com medidas judiciais cabíveis, conseguindo o bloqueio de pagamentos ao banco. A Amprev reafirmou que os investimentos realizados no Master representam 4,7% do total da carteira da instituição e que adota medidas judiciais para proteger o patrimônio dos segurados.

A autarquia destacou que, sob a atual administração, o patrimônio da Amprev evoluiu 41% de 2023 para 2025, garantindo o pagamento aos aposentados e pensionistas até 2059. A instituição espera que a Justiça seja feita e os contraventores do Banco Master sejam punidos.

Enquanto isso, a oposição no Congresso pressiona pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso Master. O requerimento já possui assinaturas suficientes, mas depende da leitura em sessão do Congresso, prerrogativa do presidente da Casa.

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