Chile de Kast: Muro na fronteira e choque liberal para redesenhar o país na largada da presidência

Chile de Kast: Muro na fronteira e choque liberal para redesenhar o país na largada da presidência

Resumo

Kast inicia presidência com muro na fronteira e pacote de choque liberal no Chile

O recém-empossado presidente do Chile, José Antonio Kast, iniciou seu mandato com um ritmo acelerado, colocando em prática duas promessas de campanha que visam redefinir o país: a construção de um muro na fronteira norte para conter a imigração ilegal e a implementação de um pacote de reformas econômicas sob a bandeira do choque liberal.

Essas iniciativas, anunciadas logo no início de sua gestão, sinalizam a direção que o governo pretende tomar, buscando lidar com questões de segurança e economia de maneira assertiva e alinhada às suas convicções conservadoras.

O plano de segurança na fronteira e as medidas econômicas são os primeiros passos de Kast para moldar o Chile conforme sua visão, buscando confiança e retomada de investimentos.

Conforme informações divulgadas, no dia 16 de março, Kast esteve em Arica, na divisa com o Peru, para lançar o Plano Escudo Fronteiriço. A medida mais visível deste plano é um sistema de muros e cercas com 5 metros de altura, complementado por trincheiras de 3 metros de profundidade em pontos de maior fluxo migratório. O objetivo é impedir a entrada de veículos e o trânsito de caravanas.

Embora a extensão exata do muro ainda não tenha sido detalhada, o ministro do Interior, Claudio Alvarado, estima que cerca de 500 km dos mil quilômetros da fronteira norte do Chile, que faz divisa com Peru e Bolívia, são considerados “porosos” e necessitam de reforço.

O plano de segurança será reforçado com patrulhamento constante das Forças Armadas e dos Carabineiros, a polícia nacional chilena. Além disso, serão instaladas torres de vigilância e radares térmicos para detectar movimentos suspeitos em tempo real. Drones autônomos equipados com câmeras de reconhecimento facial, infravermelho e térmico também operarão continuamente.

“O Escudo Fronteiriço se sustenta em grande parte em tecnologia, para poder liberar recursos humanos, que são os mais escassos”, explicou o general reformado do Exército e atual senador Cristián Vial, idealizador do plano, em entrevista ao jornal El País.

Choque liberal para a economia chilena

Kast, que demonstra entusiasmo pela política econômica liberal implementada durante o regime do ditador Augusto Pinochet, busca também promover reformas econômicas significativas. Seu ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, apresentou ao Congresso o Projeto de Reconstrução Nacional.

A proposta inclui a redução de burocracias e licenças para estimular investimentos. Uma das medidas centrais é a diminuição da alíquota do imposto para médias e grandes empresas de 27% para 23%, alinhando o Chile às médias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“O objetivo é que os projetos privados possam ser retomados mesmo antes da implementação completa dos cortes de impostos, com base na recuperação da confiança e no respeito ao marco legal”, informou o Ministério da Fazenda.

O pacote econômico também prevê um subsídio macroeconômico, descrito como “sem burocracia ou barreiras de acesso”, para auxiliar empregadores no pagamento das contribuições previdenciárias de trabalhadores formais. Adicionalmente, o projeto contempla a isenção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) sobre imóveis residenciais por 12 meses, visando facilitar o acesso à moradia, e a isenção de tributos sobre a primeira casa própria para idosos.

Corte de gastos sem sacrificar benefícios sociais

Paralelamente às reformas econômicas, Kast tem um plano ambicioso de corte de gastos públicos, que deve somar US$ 6 bilhões anualmente, sem a eliminação de benefícios sociais. Segundo o presidente, US$ 3 bilhões virão de ajustes no Estado e outros US$ 3 bilhões de ajustes legislativos.

No Poder Executivo, a economia será buscada por meio de três eixos principais: combate à corrupção, aumento da eficiência na gestão pública e austeridade fiscal. Kast detalha que fraudes podem representar cerca de US$ 1 bilhão em economia, a eficiência na gestão mais US$ 1 bilhão, e a austeridade, mais US$ 1 bilhão.

Um relatório recente da agência de classificação de risco Fitch destacou que o Chile, anteriormente governado por Gabriel Boric, apresentou um déficit estrutural de 3,6% do PIB ao final de 2025, ultrapassando a meta de equilíbrio estrutural do país pelo segundo ano consecutivo. O déficit fiscal aumentou para 2,8% do PIB.

A Fitch alertou que “os planos do presidente chileno, José Antonio Kast, para conter rapidamente as finanças públicas serão complicados por um déficit orçamentário maior do que o previsto e pela disparada dos preços do petróleo”, indicando os desafios que o novo governo enfrentará.

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