Chile mira além de vinho e salmão no Brasil: Pisco, cerejas e azeites ganham espaço com novo corredor logístico

Chile mira além de vinho e salmão no Brasil: Pisco, cerejas e azeites ganham espaço com novo corredor logístico

Resumo

Chile quer expandir exportações para o Brasil, indo além de vinho e salmão, com foco em diversificação e alcance nacional

O Chile, segundo principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul, está empenhado em ampliar seu leque de exportações para o mercado brasileiro. A ambição é ir além dos tradicionais vinhos e salmões, buscando fortalecer a relação comercial com novos produtos e alcançar regiões mais distantes do país, como o Nordeste.

A estratégia chilena visa reduzir a dependência de commodities minerais e agropecuárias, explorando a complementaridade produtiva entre as duas nações. O objetivo é introduzir itens como o pisco, um destilado de uva apreciado pelos turistas chilenos no Brasil, e cerejas, que se beneficiam da proximidade geográfica para chegar frescas ao consumidor.

Segundo Hugo Corales, diretor comercial do ProChile, o momento atual representa o auge do relacionamento comercial entre Chile e Brasil. Uma comitiva de 22 empresas exportadoras chilenas está em São Paulo para a APAS Show, maior feira supermercadista do mundo, apresentando produtos regionais como frutas frescas e secas, azeite de oliva, queijos e bebidas.

Novos produtos e regiões no radar chileno

O Chile busca introduzir no mercado brasileiro produtos com identidade regional, como queijos artesanais, azeites de oliva e o pisco. A meta é atingir não apenas os grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, mas também expandir a distribuição para o interior do Brasil e para regiões como o Nordeste, aproveitando o crescimento do turismo e da classe média local.

As cerejas chilenas são uma aposta forte, com embarques que cresceram 47,8% entre janeiro e abril, totalizando US$ 7 milhões. A proximidade logística permite que as frutas cheguem em perfeitas condições ao consumidor brasileiro, que as tem apreciado pela textura, doçura e tamanho, características distintas das frutas tropicais.

Complementaridade econômica e o papel do agronegócio

O avanço chileno no mercado brasileiro não representa uma ameaça aos produtores nacionais, conforme explica Corales. A balança comercial entre os dois países opera de forma complementar. Enquanto o Brasil se destaca na exportação de commodities como milho, suco de laranja e carne bovina, o Chile foca em nichos de maior valor agregado e produtos de clima temperado.

Essa complementaridade se reflete no agronegócio. O Chile se consolidou como o terceiro maior destino global da carne bovina brasileira, um mercado importante em um momento de incertezas para as exportações brasileiras para outros mercados. O acordo de livre comércio atualizado em 2022 garante a sustentabilidade desse fluxo comercial.

Corredor Bioceânico como chave para o futuro

A sustentabilidade do novo portfólio comercial chileno no Brasil depende de uma transformação logística. A implementação do Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio é vista como fundamental. Essa malha viária conectará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina.

O corredor facilitará o escoamento de produtos, reduzindo custos e tempos de transporte. A recente ratificação da Convenção de Transportes Internacionais Rodoviários (TIR) pelo governo federal brasileiro agiliza o trânsito de mercadorias entre os países, funcionando como um “passaporte universal de carga” para os caminhões.

Dados e estatísticas das exportações

Entre janeiro e abril de 2026, as vendas chilenas ao Brasil alcançaram US$ 897 milhões, representando 4,72% do total exportado pelo Chile, segundo o ProChile. O salmão e a truta lideram as exportações, com US$ 359 milhões (40% do total), e um crescimento de 3,6% no período. “Praticamente 100% do salmão consumido no Brasil é chileno”, afirma Corales.

Os vinhos registraram US$ 64 milhões em vendas ao Brasil, com alta de 17,6%, e 44% dos vinhos importados no mercado brasileiro são chilenos. Outros produtos com crescimento relevante incluem frutas frescas e secas (mais de US$ 56 milhões), kiwis frescos (US$ 7 milhões), tomates processados (US$ 5 milhões), nozes (US$ 3 milhões), amêndoas (US$ 1 milhão), avelãs (US$ 2 milhões) e azeite de oliva (US$ 9 milhões).

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