China ajusta expectativas econômicas e reforça postura militar em relação a Taiwan, gerando atenção global.
O congresso anual da Assembleia Popular Nacional (APN) da China, principal evento político do país, reuniu cerca de 3.000 deputados no Grande Salão do Povo. Neste encontro, o regime de Xi Jinping apresentou as diretrizes e metas para os próximos anos, com foco especial na economia e nas relações exteriores.
Um dos anúncios mais significativos foi a definição da meta de crescimento econômico para 2026, estabelecida em “entre 4,5% e 5%”. Este índice representa uma redução em comparação com a meta de “cerca de 5%” dos últimos três anos e marca o nível mais baixo projetado desde 1991, sinalizando um período de crescimento mais moderado para a segunda maior economia do mundo.
A desaceleração esperada ocorre em um cenário de desafios internos, como a moderação nos gastos das famílias, investimentos em queda e uma crise persistente no setor imobiliário. Externamente, Pequim busca “aprimorar suas próprias capacidades para lidar com os desafios externos”, conforme declarado pelo primeiro-ministro Li Qiang, em alusão a conflitos globais e pressões comerciais. As projeções de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) corroboram essa tendência, prevendo um crescimento em torno de 4,5% para a China em 2026.
Avanço Moderado nos Gastos Militares e Tensão com Taiwan
Paralelamente às metas econômicas, o primeiro-ministro Li Qiang anunciou um aumento de 7% no orçamento de defesa para 2026, elevando-o para 1,91 trilhão de yuans (aproximadamente US$ 277 bilhões). Este aumento, embora significativo, é considerado moderado por analistas quando comparado a investimentos militares de outras potências como EUA e Japão. No entanto, alguns especialistas sugerem que o orçamento oficial pode não refletir a totalidade dos gastos reais, especialmente considerando a recente modernização militar chinesa, que inclui a entrada em serviço de seu terceiro porta-aviões, o Fujian.
Pequim Reafirma o Princípio de “Uma Só China”
A China intensificou suas atividades militares em torno de Taiwan, realizando exercícios em larga escala que são apresentados como advertências contra “forças separatistas”. Essa postura se alinha com a declaração de Li Qiang de que a China promoverá a “reunificação nacional” e “implementará integralmente a estratégia geral do Partido para resolver a questão de Taiwan na nova era”.
Pequim reafirma seu compromisso com o princípio de “uma só China” e se opõe a qualquer “interferência de forças externas”. A questão de Taiwan continua sendo um ponto de discórdia regional, com a China acusando recentemente o presidente taiwanês William Lai de ser um “instigador de guerra” após seus alertas sobre o impacto de um potencial controle chinês sobre a ilha. A China considera Taiwan um território inalienável e não descarta o uso da força para alcançar a “reunificação”.
Campanha Anticorrupção Afeta Liderança Militar
O reforço do tom militar contra Taiwan ocorre em meio a uma campanha anticorrupção que tem abalado a liderança militar chinesa. Altas figuras como os ex-ministros da Defesa Li Shangfu e Wei Fenghe, e o ex-vice-presidente da Comissão Militar Central Zhang Youxia, foram afastados, reduzindo significativamente o número de membros ativos nesse órgão dirigente do Exército.