Cláudio Castro desiste da eleição ao Senado após operações da PF; ex-governador alega foco na defesa

Cláudio Castro desiste da eleição ao Senado após operações da PF; ex-governador alega foco na defesa

Resumo

Cláudio Castro renuncia à candidatura ao Senado e foca em defesa após operações da Polícia Federal

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta quinta-feira (28) sua desistência da disputa pela vaga no Senado Federal. A decisão, comunicada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, surge em meio a operações da Polícia Federal que o colocam no centro de investigações sobre supostos esquemas de corrupção e crimes contra o sistema financeiro, envolvendo o Banco Master e a refinaria Refit.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Castro expressou o quão difíceis têm sido os últimos dias, destacando o sofrimento de sua família e a exposição a “mentiras” e “meia verdade”. Ele negou qualquer irregularidade em sua conduta, reafirmando confiança na justiça e em suas defesas, que seus advogados descrevem como “robustas”.

A desistência eleitoral visa permitir que o ex-governador se concentre integralmente em sua defesa jurídica. Castro classificou a decisão como a “mais difícil” de sua vida, buscando esclarecer os limites da atuação de um governador em meio a alegações complexas. Conforme informação divulgada pelo g1, a decisão ocorre após uma série de ações da Polícia Federal.

Operação Compliance Zero e o Banco Master

O golpe mais recente na trajetória política de Cláudio Castro foi a oitava fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta que o ex-governador teria exercido influência política para que o Rioprevidência aplicasse cerca de R$ 3,6 bilhões em investimentos de risco no Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, foi identificado um “sincronismo” entre encontros de Castro com o banqueiro Daniel Vorcaro e os aportes bilionários realizados pelo fundo de previdência dos servidores fluminenses. O STF ressaltou a existência de um “vínculo próximo” entre o político e o banqueiro, sugerindo que a liberação de investimentos dependia de “alinhamento político”.

Suspeitas na Refit e a Operação Sem Refino

A pressão sobre Cláudio Castro já havia se intensificado uma semana antes, com a Operação Sem Refino. Nesta investigação, o ex-governador é suspeito de participar de um esquema de sonegação de impostos para beneficiar a refinaria Refit (antiga Manguinhos). O dono da refinaria, Ricardo Magro, é apontado como o maior devedor de impostos do país, com um passivo de R$ 52 bilhões.

Relatórios da PF indicam que, sob a liderança de Cláudio Castro, a Secretaria de Fazenda do estado teria se tornado uma “extensão da estrutura empresarial” da Refit. A atuação teria concedido benefícios fiscais e dificultado a ação de concorrentes, configurando um padrão de aproximações pessoais seguidas de decisões administrativas que favoreciam interesses privados de grandes grupos econômicos.

Castro liga operações a disputa política

Cláudio Castro vinculou as operações da Polícia Federal ao “grande embate” do período pré-eleitoral no Brasil. Ele lamentou que “reputações são destruídas sem o menor pudor, simplesmente por uma busca incessante pelo poder”, criticando a forma como narrativas são construídas na política.

Apesar do recuo eleitoral, o ex-governador reafirmou sua inocência e a confiança na justiça, enfatizando que suas defesas estão sendo apresentadas de forma completa para explicar sua atuação. Ele reiterou que a decisão de retirar a candidatura ao Senado foi pensada para permitir total dedicação à sua defesa.

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