Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio e mira Senado antes de julgamento decisivo no TSE
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira (23). A decisão ocorre na iminência da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode cassar seu mandato e declará-lo inelegível.
Castro declarou que busca novos projetos e se candidatará ao Senado. “Saio de cabeça erguida e de forma grata”, afirmou o governador, encerrando seu ciclo à frente do Executivo estadual.
A saída do governador Cláudio Castro, conforme informação divulgada pelo g1, ocorre em um momento crítico, com dois votos já favoráveis à sua cassação no TSE, e visa, segundo analistas, blindar sua carreira política diante da possibilidade de inelegibilidade.
Linha Sucessória e Nova Eleição para Governador
Com a renúncia de Cláudio Castro, o vice-governador Thiago Pampolha já havia se desincompatibilizado em maio de 2025 para assumir um cargo no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Assim, a presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ocupada por Rodrigo Bacellar (União), seria o próximo na linha sucessória.
No entanto, Rodrigo Bacellar foi afastado de sua função pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bacellar é investigado por suposto vazamento de informações sigilosas em uma operação policial. Com isso, o presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), desembargador Ricardo Couto, assume interinamente o governo.
Caberrá a Ricardo Couto a organização da eleição indireta na Alerj para definir quem comandará o estado fluminense até a escolha de um novo governador em eleições futuras.
O Julgamento no TSE e as Acusações Contra Cláudio Castro
O TSE está julgando Cláudio Castro, Pampolha, Bacellar e outras dez pessoas. A acusação central envolve suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Os envolvidos negam as irregularidades.
A denúncia aponta para a contratação de 27 mil funcionários temporários na Fundação Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Tais contratações teriam sido utilizadas como forma de obter apoio eleitoral, atuando como cabos eleitorais no pleito.
Votos pela Cassação e Próximos Passos do Julgamento
A ministra Isabel Gallotti, relatora do caso, votou pela cassação do mandato de Cláudio Castro e sua inelegibilidade. Para a relatora, o governador teve um “papel central” na “articulação do esquema ilícito com fins eleitorais”, com o objetivo de “construir um projeto de poder”. Ela também defendeu a cassação de Bacellar.
O ministro Antonio Carlos Ferreira acompanhou o voto da relatora. O julgamento foi suspenso após o ministro Nunes Marques pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso. A sessão será retomada nesta terça-feira (24), com os votos dos ministros Floriano Azevedo, Estela Aranha, Nunes Marques, André Mendonça e da presidente do TSE, Cármen Lúcia.
Cláudio Castro foi eleito vice-governador em 2018, na chapa de Wilson Witzel, que deixou o cargo em 2021 após impeachment. Castro foi reeleito governador em 2022, no primeiro turno.