Contrato bilionário da Petrobras no Peru vira alvo de investigação de corrupção em caso “Rutas de Lima”
Um contrato no valor de US$ 1,8 bilhão, cerca de R$ 9 bilhões, assinado pela Petrobras em 2025, está sob escrutínio em uma investigação de corrupção no Peru. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e detalha como o acordo se tornou parte de um pedido de cooperação judicial feito pelo governo peruano à Justiça dos Estados Unidos.
O caso, conhecido como “Rutas de Lima”, investiga um complexo esquema de propina e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos na capital peruana, Lima. Empresas associadas à construtora Odebrecht estão no centro das apurações, sob suspeita de terem pago subornos e financiado campanhas políticas de forma ilegal para assegurar a obtenção de contratos.
Nesse contexto, o contrato da Petrobras chamou a atenção das autoridades. Registros financeiros indicam movimentações suspeitas de aproximadamente US$ 700 mil, que teriam envolvido o empresário Ricardo Pereira Neto, controlador da EGTC Infra e ex-gerente do projeto “Rutas de Lima”, e uma suposta empresa de fachada denominada Pyrum. As transações ocorreram perto da data de assinatura do contrato da Petrobras, em outubro de 2025.
Movimentações financeiras sob lupa e conexão com ex-líder da Odebrecht
De acordo com a reportagem do Metrópoles, o contrato da Petrobras teria sido fechado com as empresas Tenenge e EGTC Infra. As investigações apontam para uma movimentação financeira de cerca de US$ 700 mil como suspeita. Essa quantia estaria ligada a Ricardo Pereira Neto, que além de controlar a EGTC Infra, teve um papel como gerente no projeto “Rutas de Lima”.
As transações financeiras em questão teriam ocorrido em um período próximo à assinatura do contrato da Petrobras, em outubro de 2025. A investigação busca esclarecer a origem e o destino desses fundos, que levantaram bandeiras vermelhas para as autoridades peruanas e americanas envolvidas no caso.
Pedido de cooperação judicial busca rastrear o fluxo de dinheiro
Um documento citado pela reportagem também menciona um pagamento direto a Jorge Barata, que ocupou a posição de ex-presidente da Odebrecht no Peru. Barata é uma figura central em diversos escândalos de corrupção envolvendo a empreiteira no país. A inclusão de seu nome em conexões com este contrato reforça as suspeitas de irregularidades.
O objetivo do governo peruano ao acionar a Justiça americana é obter acesso a dados bancários e documentos cruciais. Essas informações são consideradas essenciais para comprovar o caminho percorrido pelo dinheiro investigado. O material coletado deverá ser utilizado nos processos criminais que já tramitam no Peru, visando aprofundar a investigação sobre o esquema.
O que são as “Rutas de Lima” e seu impacto na investigação
O esquema “Rutas de Lima” se refere a uma série de contratos públicos firmados na capital peruana e que estão sob investigação por suspeitas de corrupção. A operação busca desarticular uma rede que teria utilizado pagamentos de propina e lavagem de dinheiro para obter vantagens indevidas em licitações.
A participação de empresas como a Odebrecht e, agora, a conexão com o contrato da Petrobras, demonstram a amplitude e a complexidade das investigações. A cooperação internacional, neste caso entre Peru e Estados Unidos, é fundamental para rastrear fluxos financeiros que ultrapassam fronteiras e para a punição dos envolvidos.
As autoridades peruanas esperam que a colaboração com a Justiça americana traga provas concretas que sustentem as acusações e permitam avançar no combate à corrupção. O caso “Rutas de Lima” continua a desdobrar-se, revelando novas conexões e escrutinando contratos de grande vulto.