Cuba adquire mais de 300 drones militares e levanta suspeitas de preparativos para conflito com os EUA
O regime comunista de Cuba adquiriu mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã nos últimos anos. Recentemente, surgiram discussões internas sobre a possibilidade de realizar ataques contra alvos americanos na ilha, especialmente em caso de uma escalada nas tensões com Washington. A informação foi revelada pelo portal Axios neste domingo (17), com base em dados de inteligência sigilosos.
A inteligência dos Estados Unidos identificou conversas dentro do governo cubano que mencionam potenciais ataques contra a base naval americana em Guantánamo, navios militares dos EUA e até mesmo Key West, na Flórida. Esta cidade americana fica a aproximadamente 145 quilômetros de Havana, evidenciando a preocupação de Washington com a proximidade geográfica.
Embora algumas autoridades americanas não considerem Cuba uma ameaça iminente neste momento, a inteligência observa que militares cubanos vêm discutindo cenários de uso de drones. Essa discussão ocorre em um contexto de deterioração das relações bilaterais entre os dois países. O governo americano também confirmou a presença de assessores militares iranianos em Havana, o que intensifica o receio de uma troca de conhecimento militar sobre drones entre Cuba, Irã e Rússia.
Preocupação crescente com a tecnologia de drones
Uma autoridade americana, que preferiu não se identificar, expressou preocupação com a proximidade dessa tecnologia militar e a atuação de “atores ruins”, incluindo grupos terroristas, cartéis de drogas, iranianos e russos. “Quando pensamos nesse tipo de tecnologia tão perto, e em uma série de atores ruins, isso é preocupante. É uma ameaça crescente”, afirmou a fonte ao Axios.
Desde 2023, Cuba tem comprado drones de ataque com “capacidades variadas”, armazenando-os em locais estratégicos. No último mês, representantes cubanos teriam adquirido mais drones e outros equipamentos militares da Rússia. Interceptações de inteligência indicam que autoridades cubanas buscam entender como o Irã tem resistido à pressão militar dos Estados Unidos, especialmente após o uso de drones iranianos contra bases americanas no Oriente Médio e contra a navegação em áreas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Avisos de Washington e resposta de Havana
A revelação surge dias após uma visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana. Na ocasião, Ratcliffe entregou uma mensagem direta do presidente Donald Trump, alertando as autoridades cubanas contra qualquer hostilidade e afirmando que a ilha não pode servir como plataforma para adversários dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
Em resposta à reportagem do Axios, a Embaixada de Cuba nos Estados Unidos publicou um comunicado no X. A representação cubana não negou a posse de drones de ataque, mas declarou que “como qualquer país, Cuba tem o direito de se defender contra agressões externas”, classificando tais preparativos como “autodefesa”. O governo cubano acusou setores dos EUA de fabricarem pretextos para justificar uma agressão militar, alegando que aqueles que buscam a submissão da nação cubana “não perdem um único momento fabricando pretextos, criando e espalhando falsidades”.
Pressão americana e retórica de defesa
O episódio ocorre em um momento de forte pressão americana contra Havana. Desde janeiro, o governo Trump impôs um bloqueio ao fornecimento de combustível para Cuba, medida que agravou a crise energética na ilha, resultando em apagões, escassez de serviços básicos e protestos contra o regime.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou recentemente que Cuba é “um país de paz”. No entanto, ele ressaltou que, se a ilha for atacada militarmente, exercerá “seu direito à legítima defesa até as últimas consequências, com o apoio massivo do povo”. Rodríguez também alertou que uma ofensiva dos Estados Unidos provocaria “um banho de sangue”.