CPMI do INSS pode aprofundar apurações sobre Daniel Vorcaro e sua conexão com o ministro Dias Toffoli
O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à CPMI do INSS, agendado para 26 de fevereiro, promete ir além do foco original nas operações de crédito consignado. As recentes revelações sobre supostas conversas entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), levaram à saída do magistrado da relatoria do caso no STF e agora devem ser incluídas nas indagações da comissão parlamentar.
A expectativa é de que as denúncias envolvendo o ministro do STF dificultem o isolamento dos questionamentos dos parlamentares apenas à fraude contra aposentados e pensionistas do INSS. A pressão sobre Vorcaro para esclarecer eventuais conexões com Dias Toffoli durante sua oitiva é considerada alta.
Conforme apurado pela Polícia Federal, as mensagens trocadas entre o banqueiro e o ministro ganharam destaque, culminando na decisão de Toffoli de se afastar da relatoria de processos que envolvem o Banco Master. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (13).
Estratégia de depoimento mantém foco, mas com novas frentes de investigação
O relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), ressaltou que a estratégia principal do depoimento de Vorcaro permanece inalterada, com foco direto nas operações de crédito consignado. No entanto, ele admitiu que as supostas conversas com o ministro Dias Toffoli não poderão ser ignoradas.
“Vorcaro vai ser ouvido sobre os empréstimos consignados. A estratégia do depoimento não muda absolutamente nada em relação às investigações. Evidentemente que esses fatos [referentes a Vorcaro] colocam mais holofote ainda no momento de chegada dele à CPMI. Tem todo um desdobramento que é natural, mas sempre com um foco nos empréstimos consignados”, declarou Gaspar em entrevista à Folha de S. Paulo.
Pedido de compartilhamento de dados sigilosos
Alfredo Gaspar também formalizou um pedido para que o STF compartilhe com a CPMI os dados telefônicos e telemáticos de Daniel Vorcaro. Essa solicitação tem sido pressionada não apenas pela CPMI do INSS, mas também pela CPI do Crime Organizado e pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
“Imediatamente devolva à CPMI o pleno conhecimento do material que teve o sigilo afastado relacionado ao Vorcaro, como sigilo telemático e o sigilo telefônico”, afirmou o relator da comissão.
Decisão de Toffoli no STF e nova relatoria
Na véspera, após a descoberta das mensagens que indicam uma relação de proximidade entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, o ministro optou por deixar a relatoria do caso no STF. Essa decisão ocorreu sob pressão dos demais magistrados da Corte, após duas longas reuniões convocadas pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Embora o colegiado do STF tenha manifestado apoio ao ministro, a preferência foi evitar uma possível suspeição de Toffoli, que poderia levar à anulação de todos os atos processuais até o momento. Por sorteio, o ministro André Mendonça foi o escolhido para assumir a relatoria dos processos referentes ao Banco Master.