Doria alertou Vorcaro sobre “coisas que vão precisar de reação” em meio a investigações do Banco Master
Em mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF), o ex-governador de São Paulo, João Doria, expressou preocupação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Doria enviou uma mensagem a Vorcaro em maio de 2025, alertando sobre “coisas que vão precisar de reação” por parte do empresário e sugerindo um encontro.
A comunicação ocorreu antes que as investigações sobre fraudes no Banco Master ganhassem força e resultassem na perda do benefício da tornozeleira eletrônica para Vorcaro, que agora será encaminhado à Penitenciária Federal de Brasília. A PF apura um esquema de monitoramento e intimidação de pessoas que poderiam prejudicar os negócios do empresário.
As mensagens revelam uma teia de contatos que envolvem figuras políticas e empresariais. Além de Doria, o filho do ex-governador, João Doria Neto, também mantinha contato com Vorcaro, assim como o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). A PF também encontrou anotações que indicam uma possível comunicação com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Doria se defende e Doria Neto explica relação com o Banco Master
João Doria afirmou que a mensagem enviada a Daniel Vorcaro foi um “gesto cordial” e ocorreu antes das descobertas sobre as fraudes nas carteiras de crédito do banco. Por outro lado, João Doria Neto, CEO do grupo empresarial Lide, atribuiu sua relação com Vorcaro à sua posição no Lide, afirmando que interagia com ele da mesma forma que com centenas de outros filiados e clientes.
Conexões com o PP e menções a “Sicário” e “Ciro”
A investigação também apontou para a relação de Vorcaro com o Partido Progressista (PP). O deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) enviou uma mensagem ao banqueiro, referindo-se a ele como amigo e solicitando uma videochamada com a participação de “Ciro”. Pinato esclareceu que a referência era ao advogado Ciro Soares, e não ao senador Ciro Nogueira, presidente do partido.
Outro ponto de tensão nas investigações foi a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, dentro da cadeia. A morte ocorreu em meio à investigação sobre o esquema de monitoramento e intimidação promovido por Vorcaro.
Anotações enigmáticas e a relação com Alexandre de Moraes
Uma anotação encontrada em um bloco de notas de Vorcaro levantou suspeitas: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Segundo informações do jornal O Globo, o texto teria sido enviado ao ministro Alexandre de Moraes. No entanto, o ministro negou veementemente ter recebido tal mensagem, classificando-a como “ilação mentirosa”.
A agenda de Vorcaro revelou contatos com o próprio ministro do STF, além de sua esposa e alguém identificado como “Mággino Barci de Moraes”. Em uma das conversas, Vorcaro menciona um encontro com “alexandre moraes” durante um feriado em Campos. As interações também envolveram a aprovação da lista de convidados para o Fórum Jurídico do Brasil de Ideias em 2024, onde apenas Joesley foi vetado, com a observação de que a presença de Michel Temer, que indicou Moraes ao STF, poderia ter influenciado a decisão.
A reportagem buscou contato com Fausto Pinato, Doria Neto, Ciro Nogueira, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e a assessoria de imprensa do STF para obter manifestações sobre o caso. O espaço permanece aberto para quaisquer esclarecimentos.