Eduardo Bolsonaro critica encontro entre Lula e Trump, chamando o presidente de “malandro” e questionando a defesa da soberania nacional.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou suas redes sociais para ironizar o próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para esta quinta-feira (7).
Eduardo, que reside nos EUA desde março do ano passado, classificou Lula como “malandro”, sugerindo que a defesa da “soberania nacional” é apenas uma “narrativa” voltada para a “militância”. Ele aponta uma clara dicotomia entre o discurso de Lula para seus apoiadores e para as elites.
“Ué, mas não era o Flávio Bolsonaro o cara do imperialismo yankee? E a narrativa de Lula defender a soberania nacional? A verdade é que Lula, malandro que é, fez um discurso para a militância e outro para as elites. Entre um e outro existe um abismo!”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no X.
Contexto das críticas e tensões diplomáticas
As declarações de Eduardo Bolsonaro surgem em um momento de recentes tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em março, Lula teria afirmado em reunião ministerial que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, entregaria o Brasil aos EUA se eleito, o que pode ter motivado a resposta de Eduardo.
Mais cedo, Eduardo compartilhou uma foto ao lado de seu irmão, Flávio Bolsonaro, e do jornalista Paulo Figueiredo, ambos nos EUA. Flávio viajou para Miami no domingo (3) e tem retorno previsto para esta quarta-feira (6).
Histórico de atritos entre Brasil e EUA sob Trump
O último encontro entre Lula e Trump ocorreu em outubro de 2025, durante a cúpula da Asean. A reunião desta semana acontece após um período de fricção, incluindo a expulsão do adido da Polícia Federal em Miami por suposta atuação para a prisão de Alexandre Ramagem, e a retaliação brasileira com a retirada de credenciais de um agente americano.
Durante o governo Trump, o Brasil enfrentou tarifas, teve o visto de autoridades brasileiras retirado e o ministro do STF Alexandre de Moraes sofreu sanções pela Lei Magnitsky. Os motivos alegados incluíam o julgamento de Jair Bolsonaro pela suposta tentativa de golpe e decisões de Moraes contra plataformas digitais. Eduardo Bolsonaro é réu no STF por articular sanções contra autoridades.
Sinais de reaproximação e fim das sanções
A crise diplomática começou a amenizar após um breve encontro entre Lula e Trump na Assembleia Geral da ONU em setembro. Em novembro de 2025, o governo Trump suspendeu as tarifas, e no mês seguinte, o nome de Moraes foi retirado da Lei Magnitsky, indicando uma melhora nas relações bilaterais.
O encontro entre Lula e Trump, agora, pode ser um termômetro para avaliar a evolução dessas relações e os rumos da política externa brasileira frente a um dos principais atores globais.