Desconfiança com o STF dispara após escândalo do Master, mostram Datafolha e Quaest
O envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do Banco Master provocou um aumento expressivo na desconfiança dos brasileiros em relação à Corte. Pesquisas recentes do Datafolha e da Quaest, divulgadas nesta quinta-feira (12), indicam uma deterioração na imagem da instituição.
Desde o final do ano passado, apurações apontam conexões de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro ou pessoas próximas a ele. Esse cenário de desconfiança é mais acentuado nos números da Quaest, que revelam que quase metade dos entrevistados expressa tal sentimento.
A confiança na instituição judicial despencou significativamente em comparação com pesquisas semelhantes realizadas anteriormente. Conforme informações divulgadas pelo Datafolha e pela Quaest, o STF enfrenta um momento delicado de percepção pública, intensificado pelas investigações em curso.
Quaest: Maioria vê STF como mais afetado e excesso de poder
A pesquisa da Quaest, que ouviu 2.004 pessoas entre 6 e 9 de março, aponta que 13% dos entrevistados consideram o STF como a instituição mais afetada pelo escândalo do Master. Outras instituições, como o governo Bolsonaro (11%), o governo Lula (10%) e o Congresso Nacional (3%), também foram citadas, mas em menor proporção.
De forma preocupante, a pesquisa da Quaest revela que uma vasta maioria dos entrevistados, 72%, acredita que o STF detém poder demais. Apenas 18% discordam dessa percepção, enquanto 8% não souberam ou preferiram não responder, evidenciando uma forte sensação de concentração de poder na Suprema Corte.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem buscado estabelecer um código de ética para disciplinar a atuação dos ministros, mas enfrenta resistência, especialmente de Moraes e Toffoli, o que agrava a percepção de falta de controle sobre o poder da Corte.
Datafolha: Deterioração contínua da confiança no STF
O Datafolha, em sua pesquisa realizada entre 3 e 5 de março com 2.004 pessoas, corrobora a tendência de queda na confiança. A pesquisa indica uma continuidade na deterioração da confiança dos brasileiros no STF ao longo dos últimos dois anos, refletindo um sentimento generalizado de insatisfação.
O Datafolha também abordou questões específicas sobre a atuação dos ministros. Uma das perguntas questionava se os magistrados deveriam julgar ações que envolvam clientes de seus parentes. Essa questão ganhou relevância com a descoberta de que o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes foi contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões.
Viviane Barci de Moraes negou qualquer irregularidade, afirmando que sua banca não atuou em ações do conglomerado financeiro no STF. No entanto, a investigação revelou comunicações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro em momentos cruciais, levantando dúvidas sobre a imparcialidade.
Ligações de Toffoli e Moraes com o Banco Master sob escrutínio
O ministro Dias Toffoli também se encontra no centro das investigações. Ele foi sorteado relator das ações do Master no STF no final do ano passado e, posteriormente, descobriu-se sua sociedade em uma empresa de resort de luxo com seus irmãos. Essa empresa vendeu cotas a um fundo de investimentos gerido por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
A relação de Toffoli com seus irmãos na empresa veio à tona após a Polícia Federal encontrar citações e conversas nos celulares do banqueiro. Essas informações, vazadas e compiladas em um relatório de quase 200 páginas, foram entregues pessoalmente ao presidente do STF pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
As pesquisas Datafolha e Quaest evidenciam um crescente descontentamento com o STF, impulsionado pelas revelações sobre o escândalo do Banco Master e as conexões de seus ministros. A percepção de excesso de poder e a falta de mecanismos de controle eficazes contribuem para a crise de confiança na Suprema Corte.