Esquerda Unida no Brasil Condena Ação dos EUA Contra Maduro
Nas primeiras horas após a ação militar dos Estados Unidos para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a esquerda brasileira se mobilizou intensamente nas redes sociais. Políticos, militantes e intelectuais reagiram em uníssono, acusando o governo de Donald Trump de **reavivar o imperialismo na região** e violar princípios fundamentais do direito internacional, como a soberania e a autodeterminação dos povos.
A principal declaração veio do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um aliado histórico de Maduro. Ele classificou os bombardeios e a captura como **”uma linha inaceitável”** e **”uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”**, pedindo uma resposta das Nações Unidas.
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nota condenando **”veementemente a agressão militar”** e classificou a detenção de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, como um **”sequestro”**. O partido reiterou que o conflito possui **”motivações políticas e econômicas”** e representa **”graves riscos à estabilidade regional”**, configurando a **”mais grave agressão internacional registrada na América do Sul no século XXI”**.
Boulos e Guajajara Alertam para Precedente Perigoso
Guilherme Boulos, Ministro da Secretaria Geral da Presidência, classificou a ação como **”a ação imperialista mais grave que já vivenciamos”**. Ele questionou as intenções de Trump, afirmando que o objetivo é o petróleo e que a Venezuela serve como **precedente para uma nova Doutrina Monroe**, ameaçando toda a América Latina.
A Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, também se manifestou, através da ONG Filac, condenando os ataques e o **”sequestro”** de Maduro e sua esposa. Ela alertou que a escalada de ações militares representa **”uma grave ameaça à paz e à estabilidade da América Latina e do Caribe”**.
Líderes do PT na Câmara Repudiam Intervenção Militar
O deputado Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, manifestou o repúdio da bancada, defendendo que **”a igualdade entre os Estados soberanos precisa ser respeitada”** e que a solução deve ser pela **via pacífica e pelo diálogo**.
O vice-líder do governo na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG), embora não declare apoio a Maduro, afirmou que a intervenção americana **”fere a soberania de um povo e abre um precedente perigosíssimo para toda a América Latina”**. Ele criticou a lógica do **”vale tudo”** e defendeu o fortalecimento da diplomacia.
Intelectuais e Outros Políticos Endossam Críticas
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) criticou a ação como **”mais um capítulo da política imperialista que exporta guerra e violência”**. O senador Humberto Costa (PT-PE) declarou que a América Latina **”não são extensões dos interesses de quaisquer países”** e que os ataques **”violam a soberania de uma nação”**.
Marcelo Freixo, presidente da Embratur, questionou se os EUA se tornaram um **”tribunal militar internacional”**. A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) ressaltou que o autoritarismo desconhece limites e fronteiras, e que a América Latina tem **”memória da luta enfrentada contra os que viam o território apenas como fonte de lucro”**.
Entre intelectuais, o professor Vladimir Safatle considerou a invasão como **”o fim completo da ordem internacional como criada após a Segunda Guerra”**, caracterizando-a como **”imperialismo mais descarado com dominação militar aberta”**. O cientista político Christian Lynch afirmou que a América Latina é vista pela extrema-direita dos EUA como **”parte do seu império”**, o que caracteriza o **”imperialismo”**.