Fim da Escala 6x1: CEO da LATAM alerta que voos internacionais podem ser inviabilizados no Brasil; deputada reage

Fim da Escala 6×1: CEO da LATAM alerta que voos internacionais podem ser inviabilizados no Brasil; deputada reage

Resumo

CEO da LATAM critica possível fim da escala 6×1 e prevê impacto em voos internacionais

O CEO da LATAM Brasil, Jerome Jacques Cadier, expressou forte preocupação com a proposta de fim da escala 6×1 em discussão no Congresso Nacional. Segundo ele, a medida, caso inclua aeronautas, poderia tornar inviável a operação de voos internacionais com origem ou destino ao Brasil.

A declaração foi feita durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre da companhia. Cadier destacou que a maior parte das rotas que conectam o Brasil a outros continentes possui duração superior a oito horas, e a restrição imposta pela nova escala inviabilizaria essas operações.

“Se um projeto assim for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional, pois não poderemos operar voos de mais de oito horas. Então acaba toda a operação internacional”, alertou o executivo. A fala, no entanto, gerou repercussão e críticas de parlamentares. Conforme informação divulgada pela LATAM.

Impacto da escala 6×1 no setor aéreo

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata) indicam que 53,2% dos trabalhadores do transporte aéreo formalizados no país atuam atualmente em escala 6×1. A adoção de um modelo 5×2 em operações contínuas poderia elevar os custos operacionais em pelo menos 20%, segundo a associação.

O CEO da LATAM argumenta que a inclusão de pilotos e comissários nas novas regras de jornada de trabalho não faz sentido. Para ele, a flexibilidade da escala 6×1 é essencial para a continuidade das operações aéreas de longa distância, que demandam tripulações dedicadas por períodos mais extensos.

Deputada Erika Hilton reage com ironia à declaração do CEO

A deputada federal Erika Hilton, autora da proposta de emenda à Constituição que visa reduzir a jornada de trabalho, reagiu com ironia às declarações de Cadier. Em sua conta na rede social X, a parlamentar questionou a relação entre o fim da escala 6×1 e a inviabilização de voos internacionais.

“Ah, sim, agora o fim da escala 6×1 vai acabar com os voos internacionais. É por isso que nunca vimos um francês fora da França, onde a jornada semanal é de 35 horas. Eles tão presos lá que nem no filme dos Simpsons. O Macron veio nadando pra COP30. Tenham vergonha na cara!”, escreveu Hilton, criticando a preocupação apresentada pelo CEO.

Tramitação da proposta no Congresso

A proposta para acabar com a escala 6×1 avança no Congresso Nacional após debates entre parlamentares e o governo. O presidente Arthur Lira (PP-AL) tem articulado o tema por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs). Duas delas foram aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em abril.

Recentemente, o deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) protocolou um projeto de Lei que propõe fixar o salário mínimo em R$ 100 mil, com correções anuais de no mínimo 50%. A iniciativa é vista como uma forma de ironizar a redução da jornada de trabalho sem a correspondente diminuição salarial, sugerindo a dificuldade de manipulação legal da renda gerada pelo trabalho.

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