Fim da Escala 6x1 no Agro: Ipea Alerta que Quase 97% dos Empregos Formais Seriam Afetados e Custos Bilionários

Fim da Escala 6×1 no Agro: Ipea Alerta que Quase 97% dos Empregos Formais Seriam Afetados e Custos Bilionários

Resumo

Fim da escala 6×1 no agronegócio: Estudo do Ipea aponta impacto em 97% dos empregos formais e custos bilionários

A proposta de fim da escala de trabalho 6×1, que prevê dois dias de descanso semanais, tem gerado preocupação no setor agropecuário. Uma análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que essa mudança poderia afetar drasticamente os empregos formais no campo, com projeções alarmantes sobre custos e competitividade.

A medida, que tramita no Congresso Nacional, tem sido alvo de debates intensos, com o setor produtivo buscando diálogo para apresentar suas preocupações. A peculiaridade do agronegócio, com ciclos naturais e operações contínuas, difere da economia urbana, levantando dúvidas sobre a aplicabilidade da nova regra.

Segundo dados levantados, os impactos econômicos podem ser significativos, com repercussões que vão desde o aumento de custos de produção até a potencial alta nos preços dos alimentos. Acompanhe os detalhes dessa análise e as projeções para o futuro do setor.

Impacto Massivo nos Empregos Rurais, Revela Ipea

Uma nota técnica do Ipea, divulgada recentemente, aponta que a extinção da jornada de trabalho 6×1 teria um impacto considerado baixo em setores específicos, afetando cerca de 1% de 13 milhões de trabalhadores. No entanto, o cenário para o setor rural e serviços diretamente ligados é drasticamente diferente.

No campo, **96,6% dos vínculos formais seriam diretamente impactados** pela nova regra. Isso representa mais de 1,5 milhão de trabalhadores que necessitariam ter suas escalas readequadas, o que, segundo o estudo, geraria um aumento imediato de 9,6% no custo da hora trabalhada, sem um correspondente aumento na produtividade.

A análise do Ipea ressalta que, diferentemente de setores como tecnologia ou comércio de alto valor agregado, o campo possui uma elasticidade muito menor para absorver a redução de horas. Os ciclos de plantio, colheita e o manejo contínuo de animais exigem operações que não se encaixam facilmente em jornadas rígidas.

Custos Bilionários e Risco à Competitividade das Exportações

As projeções de custos adicionais para o agronegócio são expressivas. Na produção de etanol, a mudança na jornada de trabalho poderia gerar um aumento de custo entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, devido à necessidade de novas contratações. Para os setores de proteína suína e avícola, o impacto pode chegar a R$ 9 bilhões.

Cooperativas agroindustriais também sentiriam o peso, com um custo estimado em R$ 2,5 bilhões. Estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a agropecuária, a construção e o comércio podem ter um custo adicional entre 7,8% e 8,6%, bem acima da média geral de 4,7%.

Setores como transporte aquaviário e indústria de alimentos podem enfrentar elevações de despesas ainda maiores, estimadas em 10,5%. O chefe do MTE, Luiz Marinho, afirmou que o ministério está aberto ao diálogo com os setores para mensurar os impactos com maior precisão.

Impactos Regionais e Setoriais Detalhados

Estudos regionais detalham o cenário. No Paraná, o agronegócio poderia ter um custo anual de R$ 4,1 bilhões com o fim da escala 6×1, necessitando de 107 mil novas contratações para manter o nível de produção. A avicultura e suinocultura concentrariam a maior parte desse custo, R$ 1,72 bilhão por ano.

Em Minas Gerais, o custo da mão de obra na pecuária leiteira poderia saltar até 80% por litro de leite produzido em pequenas propriedades, um reflexo direto da necessidade de ordenhas diárias regulares. O estado, maior produtor de leite do país, veria essa atividade, que sustenta milhares de famílias, sob forte pressão.

Em Mato Grosso, maior produtor de grãos, a mudança exigiria mais de 34 mil contratações. A federação do comércio local alerta que os produtos no varejo podem ficar até 24% mais caros, com um risco de explosão no mercado informal.

Especialistas Alertam para Complexidades e Perda de Competitividade

Sociólogos e economistas alertam que a rigidez da lei pode não contemplar as nuances específicas de cada atividade agropecuária. José Pastore, sociólogo e professor aposentado da USP, argumenta que o regime 6×1 atende às particularidades de trabalhos como a ordenha de vacas e a supervisão de gado no pasto.

Fernando de Holanda Barbosa Filho, da FGV, aponta que o Brasil já produz menos por hora trabalhada que países da OCDE. A medida proposta, segundo ele, pode levar à perda de valor adicionado, redução de renda, fechamento de empresas e perda de empregos.

Um manifesto assinado por mais de 100 entidades do setor produtivo reforça que reduções de jornada em outros países foram acompanhadas por ganhos de produtividade. Sem esse equilíbrio, o resultado tende a ser o aumento de custos e o repasse de preços aos consumidores, afetando a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

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