A migração brasileira para o Paraguai é uma realidade crescente, com mais de 263 mil compatriotas já residindo no país. Impulsionada por impostos mais baixos, energia mais barata e o desejo por uma vida mais tranquila, a busca por novas oportunidades tem levado milhares de brasileiros a cruzar a fronteira.
Gabriela Nascimento, que antes ganhava R$ 22 mil por mês como engenheira em Santa Catarina, decidiu recomeçar sua vida no Paraguai. Ela viu no país vizinho a oportunidade de ter uma vida mais confortável, com menos impostos e a chance de construir sua própria casa.
A história de Gabriela não é isolada. O Paraguai abriga a terceira maior comunidade brasileira no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Portugal. Em 2023, mais de 17 mil brasileiros obtiveram residência no país, um recorde que reflete a aceleração dessa migração nos últimos anos.
A reportagem da Gazeta do Povo aponta que, além do custo de vida mais baixo, muitos brasileiros citam a desconfiança com a política nacional, a preocupação com as eleições e o peso da tributação como motivos para buscar um novo lar. Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, agências de regularização de imigrantes confirmam que a busca por segurança e melhores oportunidades, aliada à insatisfação com a alta carga tributária e o preço de produtos básicos no Brasil, são os principais fatores.
Menos Impostos, Mais Poder de Compra
Um dos grandes atrativos do Paraguai é a sua carga tributária significativamente menor. Enquanto no Brasil os impostos representam cerca de 33% do Produto Interno Bruto (PIB), no Paraguai esse índice varia entre 10% e 14%. Essa diferença se traduz em impostos individuais mais baixos, como o Imposto de Renda, que no Paraguai tem alíquota máxima de 10%, contra 27,5% no Brasil.
Essa vantagem tributária impacta diretamente o poder de compra. O economista Emerson Esteves explica que a energia elétrica no Paraguai pode ser de 40% a 60% mais barata que no Brasil, em parte devido à forte produção da usina de Itaipu Binacional, que atende a maior parte da demanda do país sem o modelo de bandeiras tarifárias brasileiro. Isso, somado a outros fatores, torna produtos como carros até 50% mais baratos.
O Custo de Vida e a Qualidade de Vida em Destaque
Cristina Maria dos Santos, que se mudou para Ciudad del Este há poucos meses, confirma a percepção de que viver no Paraguai é financeiramente mais leve. Ela relata conseguir trabalhar com mais tranquilidade e ter uma qualidade de vida que não encontrava em São Paulo. Os preços de eletrônicos, uniformes escolares e mensalidades universitárias são consideravelmente mais baixos, e as contas básicas, como água e luz, pesam menos no orçamento.
A concentração de brasileiros no Paraguai se dá principalmente em cidades como Ciudad del Este, que abriga cerca de 105 mil compatriotas, seguida por Assunção (50 mil) e Encarnación (36 mil). Essa distribuição geográfica reflete a busca por centros econômicos e proximidade com a fronteira.
Mercado de Trabalho e Rotina no Paraguai
Ana Paula Rosa, que trabalha com marketing digital em Ciudad del Este há seis anos, compartilha suas experiências sobre o mercado de trabalho paraguaio. Ela destaca o crescimento profissional e as novas oportunidades encontradas no país, descrevendo Ciudad del Este como um “mar de possibilidades”.
No entanto, Ana Paula também alerta para as diferenças nas leis trabalhistas. A carga horária semanal pode chegar a 48 horas, e benefícios como vale-alimentação e vale-transporte não são obrigatórios em todas as empresas. As férias também seguem uma lógica distinta, com 12 dias por ano, podendo chegar a 30 dias apenas após dez anos na mesma empresa. O “Aguinaldo”, equivalente ao 13º salário, é um dos momentos aguardados pelos trabalhadores.
Potencial de Crescimento da Comunidade Brasileira
As estimativas oficiais do Ministério das Relações Exteriores indicam um crescimento contínuo da comunidade brasileira no Paraguai. Em 2023, o número de residentes chegou a 263,2 mil, um aumento em relação aos 254 mil de 2022. Contudo, o Ministério ressalta que esses números são estimativas, pois a matrícula consular não é obrigatória, o que sugere que o número real de brasileiros vivendo no Paraguai pode ser consideravelmente maior.
A busca por uma vida com mais estabilidade financeira, segurança e oportunidades mais favoráveis continua a impulsionar o fluxo migratório de brasileiros para o Paraguai, transformando o país vizinho em um destino cada vez mais popular para quem deseja recomeçar.