O Supremo Tribunal Federal sob escrutínio: um chamado à ação por um Código de Conduta claro e efetivo.
A integridade pública nunca esteve tão em evidência. A sociedade exige cada vez mais transparência e padrões éticos elevados, especialmente nas instituições que ocupam o ápice do sistema de Justiça. No Brasil, leis como a Anticorrupção e normas da Controladoria-Geral da União (CGU) e da ABNT NBR 17265 reforçam a necessidade de programas de integridade robustos.
Nesse contexto, surge a provocação: seria o momento de o Supremo Tribunal Federal (STF) adotar um Código de Conduta institucional? A proposta visa não atacar a honra de seus membros, mas sim fornecer um guia claro para ambientes complexos e de alto impacto decisório. Um código pode orientar, prevenir conflitos e proteger a própria instituição.
A ideia ganhou corpo com o envio de uma proposta de Código de Conduta ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pela OAB-SP em janeiro de 2026. Elaborada por juristas renomados, a iniciativa busca fortalecer a independência e a credibilidade da Corte, abordando temas como conflitos de interesse e transparência.
A busca por clareza e prevenção: o papel de um Código de Conduta
A integridade institucional, conforme destacado nas diretrizes da CGU e na norma ABNT NBR 17265, não se presume, mas se demonstra, organiza e comunica. A ausência de um instrumento formal, em tempos de escrutínio constante, pode gerar desconfianças desnecessárias. Um Código de Conduta atua como um mecanismo de orientação contínua, indo além da mera conformidade legal.
Um código para o STF poderia detalhar parâmetros sobre relacionamento com partes interessadas, administração de conflitos de interesse, uso da imagem institucional e interações com agentes privados, como advogados que são familiares de ministros. Essa sistematização ajudaria a consolidar a cultura de integridade.
Exemplos e a necessidade de liderança pelo exemplo
Existem precedentes no Judiciário, como o Tribunal de Justiça do Mato Grosso, que estruturou seu programa de integridade em 2025. Esses exemplos demonstram que avançar em mecanismos de governança e conduta é um passo racional e desejável para instituições públicas.
O momento atual é um chamado à ação, um convite à liderança pelo exemplo. Assim como se exige da iniciativa privada programas de integridade, é fundamental que o STF, guardião da Constituição e do Estado Democrático de Direito, fortaleça seus próprios instrumentos de governança e conduta.
Integridade: mais que a lei, um compromisso diário
Ser íntegro não se resume a cumprir a lei. Significa deixar claro, todos os dias, o que deve e o que não deve ser feito. Essa clareza é ainda mais crucial para aqueles que servem à Justiça, especialmente em uma corte de tamanha relevância como o Supremo Tribunal Federal.
A proposta da OAB-SP, amparada por referências como a ISO/ABNT NBR 17265, reforça a importância de diretrizes claras para a tomada de decisão e a atuação dos magistrados. O objetivo é garantir a conformidade, a eficiência e a responsabilidade institucional, fortalecendo a confiança pública na Corte.