Kleber Mendonça e Wagner Moura criticam Bolsonaro após vitória no Globo de Ouro; Governo Lula exalta conquista brasileira
A vitória do filme “O Agente Secreto” no Globo de Ouro gerou repercussão política no Brasil. O diretor Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura, premiados na cerimônia, aproveitaram o momento para tecer duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram feitas em entrevistas a jornalistas logo após o anúncio da premiação.
O cineasta Kleber Mendonça Filho associou o contexto de seu filme, que aborda um período ligado à ditadura militar, à política recente do país. Ele mencionou a “guinada bem drástica à direita” e o governo anterior, referindo-se a Bolsonaro como “irresponsável de forma épica”, especialmente em relação à gestão da pandemia.
Wagner Moura, por sua vez, classificou Bolsonaro como “fascista” e de “extrema direita”, ecoando declarações anteriores à imprensa americana. Ele afirmou que o filme representa os “ecos da ditadura” no Brasil e, em entrevista ao New York Times, previu que Bolsonaro “será o fascista eleito pelos brasileiros que tentou um golpe de Estado”. As falas de Moura e Mendonça foram divulgadas conforme informação contida nas fontes fornecidas.
Reações e Elogios Oficiais
Em contrapartida às críticas, o governo brasileiro, sob a liderança de Lula, exaltou a conquista. O presidente Lula celebrou o prêmio nas redes sociais, considerando-o um “símbolo” da “valorização dos artistas”. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) também emitiu uma nota oficial parabenizando a equipe do filme, incluindo Kleber Mendonça Filho, Emilie Lesclaux e Wagner Moura, e reforçando a “excelência do cinema brasileiro”.
Apoio de Bolsonaro e Críticas a Moura
O ex-secretário especial de Cultura durante o governo Bolsonaro, Mario Frias, reagiu às declarações de Wagner Moura de forma contundente. Frias chamou o ator de “frango travestido de virtude”, “oportunista” e “sustentado por um Estado corrupto”, acusando-o de “indignação seletiva e calculada”.
O pastor Silas Malafaia também criticou o ator, fazendo um comentário irônico sobre o financiamento da cultura. “Governo bom é dar aumento de 18 reais para professores e 18 bilhões para o que eles chamam de cultura”, disse Malafaia, conforme relatado nas fontes.
Financiamento Público e Contexto Político
O filme “O Agente Secreto” recebeu R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela Ancine, por meio de edital público. Este financiamento público contrasta com o período do governo Bolsonaro, onde o setor cinematográfico relatou escassez de recursos. Wagner Moura já havia mencionado dificuldades no financiamento de seu filme “Marighella” durante a gestão anterior.
Em 2019, Bolsonaro, em suas lives semanais, declarou ter impedido o financiamento de filmes que considerava “dinheiro jogado fora”, questionando o gasto de verba pública com tais produções e afirmando ter “conseguido abortar essa missão” em relação a alguns projetos.