Lula Ausente no 1º de Maio: Atos da Esquerda Fragmentados Após Semana de Derrotas Históricas no Congresso

Resumo

Atos do Dia do Trabalhador sem Presença de Lula: Um Primeiro de Maio Marcado por Derrotas e Fragmentação

O feriado de 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, encontra o governo e a esquerda em um momento delicado. Após uma semana marcada por reveses significativos no Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará dos atos tradicionais da data. A decisão segue o padrão de 2023, quando também optou por um pronunciamento em rede nacional.

A ausência de Lula nos eventos presenciais ocorre em um contexto de forte repercussão das recentes derrotas legislativas, que abalaram a base aliada. A principal delas foi a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), rompendo uma tradição de 132 anos de aprovação automática de indicados pelo Planalto.

Sem a presença do chefe do Executivo, a agenda do 1º de Maio se concentra na capital e região metropolitana de São Paulo, com atos organizados de forma fragmentada. Ministros e pré-candidatos buscam manter a mobilização em diferentes frentes, em um esforço para demonstrar força política apesar dos reveses.

Aliados se mobilizam em São Paulo em meio a derrotas no Congresso

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), estará presente em um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local histórico para o presidente Lula. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), dividirá seu tempo entre São Bernardo e um evento da Força Sindical na Liberdade, capital paulista.

Também na capital, o bairro da Liberdade receberá as pré-candidatas ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), ambas ex-ministras, reforçando a presença de figuras importantes da esquerda e centro-esquerda nos eventos.

Semana de Reveses Legislativos Abala a Base Aliada

A semana que antecede o 1º de Maio foi particularmente difícil para a esquerda no Congresso. Além da já mencionada rejeição de Jorge Messias ao STF, articulada com protagonismo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a oposição conseguiu restabelecer o projeto de lei da dosimetria. Essa legislação tem o potencial de **reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro**, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Outro ponto de atrito foi a impossibilidade de a Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) realizar um protesto na Avenida Paulista. O movimento Patriotas do QG já havia comunicado à Polícia Militar de São Paulo, desde 2024, a intenção de realizar um evento no mesmo dia e local, impedindo a manifestação da CSP-Conlutas.

Críticas à ausência de Lula e um 1º de Maio “apagado”

O deputado federal André Janones (Avante-MG), aliado do governo, criticou publicamente a ausência do presidente Lula nos atos. Segundo Janones, Lula **”perde uma oportunidade histórica de convocar manifestações em todo o país”** em torno de uma pauta que transcende a divisão esquerda-direita, especialmente considerando que este é o último Dia do Trabalhador sob a vigência da escala 6×1.

Janones defende que o presidente deveria aproveitar o momento para destacar a eleição de um ex-metalúrgico à presidência como uma grande conquista para os trabalhadores. “Infelizmente, nada disso está acontecendo. O que temos hoje é um Primeiro de Maio apagado, sem força e muito aquém do que a data e o momento histórico mereciam”, lamentou o parlamentar, expressando preocupação com a perda de chances e a repetição de discursos sobre pesquisas falsas.

Histórico de eventos com baixa participação e o debate sobre a escala 6×1

Em sua última participação em um evento de 1º de Maio, em 2023, o presidente Lula compareceu a um ato na Neo Química Arena, em São Paulo, que reuniu pouco mais de 1.660 pessoas. A baixa adesão gerou irritação no presidente, que chegou a criticar publicamente o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, por um evento **”mal convocado”**.

Este ano, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganha destaque na articulação do governo para aprovação antes das eleições. A proposta é vista como central para a campanha, mas enfrenta resistência do setor produtivo, que aponta possíveis impactos negativos no PIB. A discussão sobre a rejeição total da medida divide espaço com a argumentação de que o debate deveria ocorrer apenas no próximo mandato.

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