Sem Lula, atos do 1º de Maio focam em São Paulo em meio a derrotas políticas da esquerda
Apesar de ser uma data emblemática para os trabalhadores, o 1º de Maio deste ano marca a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em eventos públicos. A decisão ocorre após uma semana de significativas derrotas para a base aliada no Congresso Nacional e em decisões judiciais, gerando um clima de ‘ressaca petista’.
Lula realizou um pronunciamento em rede nacional na quinta-feira (30), mas, assim como em 2025, optou por não comparecer às manifestações. A agenda do dia se concentra na capital e região metropolitana de São Paulo, com eventos fragmentados entre diferentes lideranças políticas.
Conforme informações divulgadas, a ausência do presidente em um momento considerado crucial para a mobilização da base levanta questionamentos. O deputado federal André Janones (Avante-MG), aliado do governo, criticou publicamente a decisão, lamentando o que chamou de ‘Primeiro de Maio apagado, sem força’.
Derrotas no Congresso e na Justiça abalam a esquerda
A semana que antecedeu o feriado foi marcada por reveses importantes para o governo. Pela primeira vez em 132 anos, o Senado Federal rompeu a tradição de aprovar indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao rejeitar o nome de Jorge Messias para a Advocacia-Geral da União (AGU). A articulação pela rejeição é atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
No dia seguinte, a oposição conseguiu restabelecer o projeto de lei da dosimetria da pena. Esta medida tem o potencial de diminuir as punições para condenados pelos atos de 8 de janeiro e pelo suposto plano golpista, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Outra derrota para a pauta trabalhista foi a impossibilidade de a Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) realizar um protesto na Avenida Paulista. O movimento Patriotas do QG já havia comunicado à Polícia Militar de São Paulo, desde 2024, a intenção de realizar um evento no mesmo local e data.
Aliados de Lula tentam mobilizar em São Paulo
Sem a presença de Lula, o foco dos aliados se volta para a capital paulista. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), participa de um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local histórico de projeção do presidente.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), dividirá seu tempo entre São Bernardo do Campo e um ato da Força Sindical no bairro da Liberdade, na capital. As ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), pré-candidatas ao Senado, também estarão presentes no evento na Liberdade.
Críticas à ausência de Lula e o debate sobre a escala 6×1
O deputado André Janones criticou a ausência de Lula, argumentando que o presidente perdeu uma ‘oportunidade histórica de convocar manifestações em todo o país’ em torno da pauta do fim da escala 6×1. Janones defende que Lula, como ex-metalúrgico, deveria capitalizar o momento para promover a ‘maior conquista dos trabalhadores desde a promulgação da CLT’.
Janones lamentou o que considera um feriado ‘apagado’, afirmando que ‘as chances estão passando uma por uma, a gente perdendo todas’. O 1º de Maio deste ano ocorre em meio à articulação do governo para aprovar o fim da escala 6×1 antes das eleições, proposta que enfrenta resistência do setor produtivo.
Lula já criticou eventos ‘mal convocados’
Em 2025, o presidente participou de um evento na Neo Química Arena, em São Paulo, que reuniu pouco mais de 1.660 pessoas. A baixa adesão irritou Lula, que chegou a criticar publicamente o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, classificando o ato como ‘mal convocado’.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 é central para a campanha do governo, mas o setor produtivo tem divulgado estudos sobre os impactos no Produto Interno Bruto (PIB), dividindo o debate entre a rejeição total da proposta e a argumentação de que a discussão deve ocorrer apenas no próximo mandato presidencial.