Lula insiste em apoio a Bachelet para chefiar a ONU, ignorando recuo do Chile
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que o Brasil seguirá apoiando a candidatura de Michelle Bachelet ao posto de Secretária-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão brasileira permanece inalterada, mesmo após o governo chileno ter retirado seu endosso oficial à ex-presidente.
A posição do Brasil foi reforçada por Lula em suas redes sociais neste sábado (28). Ele declarou que o apoio é mantido em conjunto com o México e destacou a trajetória de Bachelet, considerando-a altamente qualificada e com o melhor currículo para a função.
Lula enfatizou a vasta experiência internacional da candidata, ressaltando que ela possui todas as credenciais necessárias para liderar a ONU. Sua atuação como ex-presidente do Chile e ex-alta comissária de direitos humanos da organização foram pontos centrais em sua argumentação.
Nos últimos meses, o presidente brasileiro tem se empenhado em expandir a base de apoio à candidatura de Bachelet entre outras nações. Lula tem defendido a importância de uma liderança feminina na chefia da ONU e a necessidade de maior representatividade de países do Sul Global na condução do organismo.
Mudança de governo no Chile causa reviravolta na candidatura
A manutenção do apoio brasileiro ocorre em um contexto de reviravolta política no Chile. O governo chileno anunciou, nesta semana, que não mais apoiará a candidatura de Bachelet. Essa decisão foi tomada poucas semanas após a posse de José Antonio Kast, que representa uma inclinação à direita na política do país.
A candidatura de Michelle Bachelet havia sido lançada em fevereiro, com o apoio conjunto de Chile, Brasil e México, ainda sob a gestão do ex-presidente chileno Gabriel Boric. Com a mudança de governo, a nova administração decidiu não sustentar mais o endosso.
Distanciamento político entre Brasil e Chile se acentua
A decisão do novo governo chileno reflete um cenário de menor alinhamento político entre Brasil e Chile. O fato de Lula não ter comparecido à cerimônia de posse de José Antonio Kast foi interpretado como um sinal de distanciamento entre os governos.
Cronograma para a sucessão na ONU
O processo de disputa pela sucessão do atual Secretário-Geral, António Guterres, teve início formal em novembro de 2025, com a abertura para indicações de candidatos. A escolha final deve ocorrer ao longo de 2026, com a definição prevista para o segundo semestre. O novo Secretário-Geral assume o cargo em 1º de janeiro de 2027.