Analistas apontam Mohammad Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, como um potencial interlocutor dos EUA para a paz.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, revelou que negociações estão em curso com uma “figura importante” do Irã para encerrar conflitos. No entanto, a identidade dessa figura não seria o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei.
O site Politico informou que Washington estaria considerando Mohammad Bagher Ghalibaf, atual presidente do parlamento iraniano, como um possível parceiro e até futuro líder do país. A estratégia seria semelhante à atuação de Delcy Rodríguez na Venezuela, como uma liderança interina menos radical, aberta ao diálogo com os EUA.
Essa possibilidade surge em meio a um contexto de tensões e busca por desescalada. A informação foi divulgada pelo Politico e confirmada indiretamente por declarações de Trump, conforme reportado por diversos veículos de comunicação.
Quem é Mohammad Ghalibaf, o “Delcy do Irã”?
Mohammad Ghalibaf, de 64 anos, possui uma trajetória marcada pela carreira militar e por cargos de destaque na política iraniana. Ele serviu na Guarda Revolucionária Islâmica, comandou a Força Aérea da organização e foi chefe das Forças Policiais Iranianas.
Posteriormente, Ghalibaf atuou como prefeito de Teerã por 12 anos, entre 2005 e 2017. Atualmente, além de presidir o Parlamento do Irã desde 2020, ele também é professor na Universidade de Teerã. Sua experiência abrange diferentes esferas de poder no regime.
Ghalibaf concorreu à presidência em três ocasiões, mas não obteve sucesso em nenhuma delas. Em 2024, ficou em terceiro lugar, com 14% dos votos, demonstrando sua relevância no cenário político, mas ainda sem alcançar o posto máximo.
Um perfil pragmático, mas com histórico controverso
Analistas descrevem Ghalibaf como uma figura com grande influência e com um perfil potencialmente menos ideológico que outros líderes iranianos. Essa característica o tornaria um interlocutor atraente para os Estados Unidos em busca de negociações.
“Ele é quem manda em tudo”, afirmou Hamidreza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, em entrevista à CNN Internacional. Azizi acrescentou que, para Ghalibaf, “os fins justificam os meios”.
Apesar dessa percepção de pragmatismo, o histórico de Ghalibaf levanta sérias preocupações. Ele apoiou a **repressão violenta a protestos** no Irã e, em um áudio de 2013, gabou-se de ter agredido manifestantes durante seu tempo na Guarda Revolucionária.
“Há fotografias minhas disponíveis, mostrando-me na garupa de uma moto, batendo [nos manifestantes] com paus de madeira. Eu estava entre aqueles que participavam das agressões nas ruas e tenho orgulho disso”, declarou Ghalibaf na ocasião.
Conexões com grupos radicais e negação de negociações
Outro ponto que evidencia um lado menos moderado de Ghalibaf é sua presença no funeral de Hassan Nasrallah, ex-líder do Hezbollah, e de Hashem Safieddine, ambos mortos em ataques atribuídos a Israel em 2024. O Hezbollah é um grupo terrorista apoiado pelo Irã.
Em resposta às declarações de Trump sobre o avanço das negociações, Ghalibaf utilizou seu perfil na rede social X (antigo Twitter) para refutar as informações. “Não houve negociações com os EUA, e fake news são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”, escreveu.
As próximas semanas serão cruciais para determinar se Mohammad Ghalibaf realmente se tornará a figura central nas negociações entre Irã e Estados Unidos, ou se sua atuação se limitará às declarações públicas em meio a um cenário geopolítico complexo.