OAB é acionada por defesa de Tagliaferro após afastamento polêmico determinado por Alexandre de Moraes

OAB é acionada por defesa de Tagliaferro após afastamento polêmico determinado por Alexandre de Moraes

Resumo

Defesa de Tagliaferro aciona OAB contra Alexandre de Moraes após polêmico afastamento de advogados

Os advogados Paulo César Rodrigues de Faria e Filipe Rocha de Oliveira tomaram uma medida drástica ao acionar o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A ação é uma resposta direta à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determinou o afastamento dos dois da defesa do perito Eduardo Tagliaferro, alegando abandono de causa.

A representação enviada à OAB busca o reconhecimento formal de que não houve abandono de causa e que o afastamento dos advogados é ilegal. A defesa também pede o envio de ofícios tanto ao STF quanto à Defensoria Pública da União (DPU), que foi nomeada por Moraes para atuar no caso.

A decisão de Moraes ocorreu após a defesa de Tagliaferro protestar e não participar de uma audiência de instrução. Essa atitude foi uma resposta à decisão do ministro de não enviar uma carta rogatória ao governo italiano solicitando a intimação de Tagliaferro, optando pela citação por edital, considerada uma exceção por lei. Conforme informação divulgada pela fonte, Moraes alegou que o ex-assessor estaria em local “incerto e não sabido”, mas, paradoxalmente, conduziu o pedido de extradição à Itália.

O protesto e o afastamento determinado por Moraes

A polêmica se intensificou quando, em protesto contra a forma de intimação, a defesa de Tagliaferro se recusou a participar de uma audiência. Alexandre de Moraes interpretou essa ausência como abandono de causa e determinou o afastamento dos advogados originais. A decisão de Moraes foi proferida na mesma ocasião em que anulou a audiência, pois o defensor público Claudionor Barros Leitão, nomeado às pressas, não teve tempo para analisar o caso e optou por não fazer perguntas.

Tagliaferro é acusado de violação de sigilo funcional, após a divulgação de mensagens de um grupo que envolvia servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Diante da possibilidade de prisão, ele se dirigiu à Itália, e o governo brasileiro tem solicitado sua extradição. A defesa critica duramente a atuação de Alexandre de Moraes, alegando que ele utiliza a Defensoria Pública da União como um meio para validar atos considerados ilegais e abusivos.

OAB e DPU são acionadas pela defesa

A representação enviada à OAB é enfática: “Se a OAB não agir agora, estará legitimando o afastamento arbitrário de advogados, a criminalização da atuação técnica, o silenciamento institucional da defesa. E isso é absolutamente inaceitável.” O documento exige “providências imediatas, urgentes e firmes”, clamando por uma ação da entidade.

Além da OAB, a defesa de Tagliaferro enviou um ofício à Defensoria Pública da União (DPU) para repudiar a atuação do defensor público Claudionor Barros Leitão. A atuação de Leitão foi vista como uma concordância com a tese de abandono de causa, o que a defesa considera inaceitável e prejudicial ao direito de defesa.

Defensoria Pública da União se manifesta

Em resposta, a Defensoria Pública da União emitiu uma nota repudiando as manifestações da defesa. O órgão ressaltou que a participação do defensor público ocorreu em cumprimento ao direito de todo réu ter um advogado. A DPU enalteceu a atuação “estritamente técnica” do Dr. Claudionor Leitão e reafirmou o compromisso da instituição em “preservar os direitos e garantias fundamentais de qualquer cidadão que se encontre em posição de hipossuficiência econômica ou jurídica”. As novas audiências foram marcadas para o dia 28 de abril.

A Gazeta do Povo buscou contato com a OAB para obter um posicionamento sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestações da entidade.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também