Oposição na Câmara Acusa "Perseguição Política" Após Suspensão de Deputados por Ocupação da Mesa Diretora

Oposição na Câmara Acusa “Perseguição Política” Após Suspensão de Deputados por Ocupação da Mesa Diretora

Resumo

Oposição na Câmara Acusa “Perseguição Política” Após Suspensão de Deputados por Ocupação da Mesa Diretora

A Câmara dos Deputados viveu um dia de tensão após o Conselho de Ética decidir pela suspensão de três mandatos por dois meses. Os parlamentares Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) foram punidos devido à sua participação na ocupação da Mesa Diretora em agosto de 2025, que paralisou os trabalhos legislativos por cerca de 30 horas.

A decisão, contudo, gerou uma forte reação imediata da oposição, que não tardou a classificar a medida como desproporcional e com claros contornos de perseguição política. Parlamentares criticaram o que chamam de seletividade na punição, alegando que atos semelhantes de outros grupos políticos não receberam o mesmo rigor.

A base governista, por outro lado, defende a ação como um passo necessário para garantir a ordem e a estabilidade dentro da Casa, evitando que episódios de obstrução física se repitam e prejudiquem o andamento das atividades legislativas. A questão agora segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), com a palavra final a cargo do Plenário.

Oposição Denuncia “Grave Precedente” e “Intimidação”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, manifestou preocupação com a decisão, afirmando que a suspensão de mandatos por participação em atos como esse **”abre um grave precedente contra a liberdade de expressão e o pleno exercício do mandato parlamentar”**. Ele ressaltou que episódios similares protagonizados pela esquerda no passado não tiveram a mesma dimensão de punição.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ecoou o sentimento, classificando a suspensão como **”seletiva”**. Ele argumentou que a punição é rápida e pesada quando direcionada à direita, mas relativizada quando os envolvidos são de outra orientação política. O líder da oposição na Câmara, Carlos Jordy (PL-RJ), também alertou para o perigo da decisão, que, segundo ele, **”abre um precedente perigoso”** e serve como um **”recado claro de intimidação”**.

O líder do PL na Câmara, Sostenes Cavalcante (RJ), criticou o que considera um **”uso político do Conselho de Ética”**, acusando que o órgão técnico foi transformado em um **”instrumento de perseguição”**. O deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o caso a uma tentativa de **”criminalizar a direita”** por atos que, segundo ele, a esquerda já teria cometido sem punição similar. Ele questionou a escolha de apenas três deputados como **”bode expiatório”**, diante da participação de mais de cem parlamentares nos atos de ocupação.

Deputados Suspensos Alegam “Calar a Oposição” e “Ataque à Liberdade”

Os próprios deputados suspensos defenderam-se veementemente. Marcel van Hattem declarou que a decisão representa um **”ataque à liberdade de atuação parlamentar”** e que a intenção é **”criminalizar a oposição”**, buscando **”calar quem pensa diferente”**, e não punir quebra de decoro.

Marcos Pollon afirmou que a suspensão tem caráter **”político”** e que o objetivo é **”silenciar deputados que enfrentam o sistema”**. Ele sustentou que **”não cometi crime, exerci meu mandato”**. Zé Trovão considerou a punição **”desproporcional”** e definiu o caso como **”perseguição”**, pois a punição seria por um **”ato político”** e não por corrupção ou desvio de dinheiro.

Tensão Marca Votação e Debates Sobre Ordem Institucional

A votação que resultou na suspensão dos mandatos ocorreu em meio a um clima de **”forte tensão”**, com debates acalorados e trocas de acusações entre governistas e oposicionistas, estendendo-se por mais de oito horas. Parlamentares aliados ao governo defenderam a punição como **”necessária para preservar a ordem institucional”** da Câmara e evitar novas obstruções físicas.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) relacionou a ocupação física do Plenário a um **”processo histórico de golpismo”**, argumentando que o relatório do conselho estaria separando **”os golpistas dos democratas”**. Os deputados suspensos ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, posteriormente, ao Plenário, onde a decisão final exigirá maioria absoluta, ou seja, 257 votos favoráveis à manutenção da suspensão.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também