Peninha se mantém em silêncio em depoimento sobre polêmica envolvendo evangélicos
O historiador e youtuber Eduardo Bueno, popularmente conhecido como “Peninha”, compareceu na última quarta-feira (15) a uma delegacia em Porto Alegre para prestar depoimento. A oitiva faz parte de um inquérito instaurado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul para investigar o comunicador por suposta intolerância religiosa.
Segundo informações do delegado Vinicius Nahan, responsável pela investigação, Bueno optou por exercer seu direito ao silêncio durante todo o procedimento. O caso gira em torno de um vídeo publicado pelo youtuber em janeiro, no qual ele sugere que pessoas de fé evangélica não deveriam votar. O vídeo já foi removido do canal do youtuber por decisão judicial.
A polícia espera concluir o inquérito e proceder com o eventual indiciamento de Eduardo Bueno na próxima semana. A investigação foi motivada por uma representação protocolada no Ministério Público de São Paulo por um deputado estadual, que alegou “discurso de ódio” e “intolerância religiosa” nas falas do youtuber. Conforme apurado, não há ainda notícias sobre a tramitação desse procedimento.
O conteúdo do vídeo polêmico e a defesa de “Peninha”
No vídeo em questão, que gerou a polêmica, Eduardo Bueno comentou, em tom que ele descreveu como cômico, uma situação envolvendo o deputado Nikolas Ferreira. Bueno afirmou que evangélicos não deveriam votar, argumentando que eles não escolhem seus próprios pastores. Ele se defendeu posteriormente, alegando que seu canal utiliza frequentemente de “metáforas e exageros” e que não teve a intenção literal de proibir evangélicos de votar.
O escritor argumentou que a frase foi um “modo de dizer”, com o objetivo de expressar seu lamento pelas escolhas eleitorais feitas pela maioria dos evangélicos. Segundo ele, esses eleitores tenderiam a se posicionar de forma “retrógrada” e “nefasta” no cenário político. Durante o interrogatório, Bueno esteve acompanhado de seu advogado, Alexandre Wunderlich, que não retornou contato para comentar o caso.
Histórico de polêmicas e declarações controversas de Eduardo Bueno
Eduardo Bueno, autor de mais de 30 livros e comanda o canal “Buenas Ideias” no YouTube, com mais de 1,5 milhão de inscritos, possui um histórico de declarações controversas. Antes da polêmica envolvendo evangélicos, ele foi criticado por celebrar o que chamou de assassinato de Charlie Kirk em 2025.
O jornalista gaúcho também já expressou publicamente ter ficado satisfeito com a morte de diversas personalidades ligadas à direita. Em um podcast, Bueno comemorou a morte do jornalista José Roberto Guzzo com um “Que maravilha!”. Em outra entrevista, confessou ter “vibrado” com o falecimento de figuras como Ronald Reagan, Henry Kissinger, Margaret Thatcher e Emilio Garrastazu Médici.
Em relação a Olavo de Carvalho, a quem chamou de “escroto” e “terraplanista”, Bueno declarou: “Um cara que mata urso não merece viver neste planeta”. A lista de figuras vivas que, segundo Peninha, “não deveriam viver” inclui o músico Roger Moreira, para quem deseja um “fim horroroso”, e a deputada estadual Ana Campagnolo.