Campanha de Lula em “modo de alerta”: Petróleo no Amapá é pirotecnia eleitoral com impacto limitado, enquanto Flávio Bolsonaro e economia preocupam.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou na descoberta de petróleo na costa do Amapá uma oportunidade para driblar a legislação eleitoral, que proíbe propagandas de ações governamentais no período pré-eleitoral. A estratégia reciclou o discurso do “passaporte para o futuro”, semelhante ao usado na descoberta do pré-sal.
No entanto, a manobra teve um impacto considerado limitado, e novos fatos levaram a campanha a um “modo de alerta”. A viabilidade comercial da descoberta de petróleo na Foz do Amazonas ainda precisa ser confirmada, mas Lula já projeta um “sonho” de uma “Dubai do Norte” na região, comparando o desenvolvimento ao da Guiana. Analistas apontam que a área já era conhecida desde 2013, e a Petrobras apenas confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho.
“Foi uma pirotecnia eleitoral do governo, pois o que foi descoberto é apenas indício de petróleo”, afirma Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Ele sugere que, sem a eleição, o anúncio seria apenas um “fato relevante” da Petrobras. A campanha de Lula, segundo fontes próximas, confirma o clima de preocupação, especialmente após a divulgação de pesquisa que aponta empate técnico com Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. As informações são do portal Gazeta do Povo.
Atrasos e entraves na exploração de petróleo: O fantasma do pré-sal e a “pirotecnia eleitoral”
A produção de petróleo no Amapá, caso confirmada, pode levar de seis a sete anos para começar, segundo estimativas da própria presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Adriano Pires, do CBIE, ressalta que a área do poço Morpho foi leiloada em 2013, mas empresas como BP e Total desistiram devido à dificuldade em obter licenças ambientais. O licenciamento é apontado como o “grande entrave a ser superado”.
Pires relembra o caso do pré-sal do poço Tupi, na Bacia de Santos, que demorou de quatro a cinco anos para a declaração de comercialidade e dez para iniciar a produção. Ele também evoca o histórico do governo petista com o modelo regulatório, citando que o país ficou quase cinco anos sem leilões após a mudança do modelo de concessão para partilha em 2008. A produção atual, segundo ele, deve-se a mudanças promovidas em 2016, que retiraram a Petrobras como operadora única e flexibilizaram sua participação.
Estratégia de isolamento e “modo de alerta” na campanha de Lula
O anúncio da descoberta de petróleo no Amapá também serviu para exibir a reaproximação entre Lula e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), além de fortalecer o apoio ao governador Clécio Luis (União-AP). Leonardo Barreto, da Think Policy, vê o movimento como parte de uma estratégia maior para “isolar o Flávio”, impedindo que o Centrão apoie a candidatura da oposição. A campanha entrou em “modo de alerta” com o receio de uma derrota eleitoral, especialmente com a possibilidade de desdobramentos do caso “Lulinha” e a divulgação de pesquisas desfavoráveis.
A pesquisa BTG/Nexus aponta um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 47% e 44% das intenções de voto, respectivamente. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Fontes próximas à campanha de Lula confirmaram o clima de apreensão.
Caso “Lulinha”, economia em baixa e a ameaça “Trump” no radar da campanha
O caso envolvendo Fábiio Luís Lula da Silva, o Lulinha, recoloca o “passivo da corrupção petista” no caminho da campanha. Inquéritos da Polícia Federal investigam a relação de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro. Mensagens divulgadas indicam negociações de comissões e contratos com dispensa de licitação para venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.
O estrategista eleitoral Roberto Reis considera o caso um “calcanhar de Aquiles” para a campanha do governo, em uma disputa “muito emparelhada”. A piora do quadro econômico também é um fator de preocupação. Dados do IBGE mostram o IPCA de julho em 0,07%, acumulando 4,44% em 12 meses, acima do centro da meta. Pesquisas da CNC e Serasa Experian revelam alto endividamento e inadimplência entre as famílias brasileiras.
Outro ponto de alerta é a possibilidade de interferência dos Estados Unidos na eleição, diante da proximidade de apoiadores de Flávio Bolsonaro com Donald Trump. Lula tem elevado o tom sobre o tema, afirmando que não aceitará ingerência externa e que tentará falar diretamente com Trump para pedir que “não se meta nas coisas do Brasil”. A estratégia de isolamento de Flávio também é vista como um sinal para desencorajar Trump, pois, segundo analistas, o ex-presidente americano “não se alia a perdedores”.
Roberto Reis avalia que a possibilidade de Trump não reconhecer uma eventual vitória de Lula é “absolutamente concreta”, citando a exigência de alinhamento de Washington contra a China como raiz do conflito geopolítico. O governo teme que Trump questione o resultado eleitoral, o que seria um “pesado” conflito geopolítico.