Presidente da Amprev Renuncia Após Suspeita de Irregularidades em Investimentos no Banco Master, R$ 400 Milhões em Jogo

Presidente da Amprev Renuncia Após Suspeita de Irregularidades em Investimentos no Banco Master, R$ 400 Milhões em Jogo

Resumo

Presidente da Amprev Pede Exoneração em Meio a Investigação de Investimentos no Banco Master

O presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, apresentou seu pedido de exoneração do cargo nesta quarta-feira (11). A decisão ocorre em meio a investigações sobre investimentos de alto risco realizados pela previdência dos servidores estaduais no Banco Master. Lemos foi um dos alvos da operação “Zona Cinzenta”, desdobramento da “Compliance Zero”, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição bancária.

Segundo a Polícia Federal, Jocildo Lemos e outros dois membros do comitê de investimentos teriam aplicado irregularmente cerca de R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado (RPPS/AP) em Letras Financeiras. Esses investimentos também estão sob análise nas investigações relacionadas ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central.

Em nota oficial divulgada após o pedido de exoneração, Jocildo Lemos declarou seu compromisso com a instituição, os segurados e a verdade dos fatos. Ele afirmou que a medida visa garantir a independência da Justiça para que todos os procedimentos adotados sob sua gestão sejam rigorosamente analisados quanto à legalidade. Lemos expressou confiança de que a verdade prevalecerá e os verdadeiros culpados serão identificados e responsabilizados.

Investimentos e Crescimento do Patrimônio da Amprev

Jocildo Lemos ressaltou na nota que, sob sua administração, o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e 2025. Ele garantiu que esse crescimento assegurou o pagamento de aposentados e pensionistas até o ano de 2059. Lemos também disse confiar na Justiça e na força dos fatos para comprovar a legalidade das ações.

Apuração do Ministério Público e Relação com o Banco Master

Paralelamente à investigação da Polícia Federal, o Ministério Público do Estado do Amapá (MP/AP) conduz uma apuração independente. O objetivo é analisar a compatibilidade dos investimentos com a política do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). A investigação busca determinar se o fundo foi devidamente alertado sobre os riscos e se recebeu pareceres contrários antes de realizar os investimentos no Banco Master.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, e sua atuação com fundos de previdência está sob escrutínio. A Amprev figura como um dos maiores fundos de previdência a ter realizado investimentos de alto risco na instituição bancária.

Posicionamento da Amprev sobre os Investimentos

A Amapá Previdência já havia se pronunciado anteriormente sobre os investimentos no Banco Master. Em nota divulgada quando a informação veio a público, a entidade afirmou que todas as aplicações seguiram as normas do Sistema Financeiro Nacional e a política de investimentos do RPPS. A Amprev sustentou que, na época dos aportes, o Banco Master estava autorizado a operar com regimes próprios de previdência.

Após a liquidação extrajudicial do Banco Master, a Amprev informou ter adotado providências para proteger os recursos. Decisões judiciais teriam garantido a preservação dos valores necessários ao pagamento de aposentados e pensionistas. Esses recursos foram mantidos em conta específica no Banco do Brasil, sob controle judicial, visando assegurar transparência e a proteção dos interesses dos servidores.

Decisões Judiciais e Segurança dos Recursos

Em um posicionamento mais recente, datado de 6 de janeiro de 2026, a Amprev reiterou que, após a liquidação do Banco Master, a autarquia e o Governo do Amapá obtiveram uma decisão judicial favorável. Essa decisão visa garantir a segurança dos recursos relacionados a empréstimos consignados. Os contratos permanecem válidos, e os descontos em folha continuam normalmente, sem prejuízo financeiro aos segurados.

A única alteração é o depósito dos valores descontados em uma conta específica no Banco do Brasil, sob controle judicial. Essa medida, segundo a Amprev, garante a proteção dos interesses de servidores ativos, aposentados e pensionistas até a decisão final do processo judicial.

Indicação Política e Investigação Federal

Jocildo Lemos foi indicado ao cargo de presidente da Amprev pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional. É importante notar que o senador Davi Alcolumbre não é investigado pela Polícia Federal neste caso.

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